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Luiz Carlos Merten

15 Agosto 2009 | 16h22

GRAMADO – Me arrependi amargamente por haver feito correções no post ‘Ufa!’, descaracterizando as observações de vocês – embora, na verdade, já tivesse me dado conta de que troquei o Arnaldo Batista pelo Antunes. Sorry, gente. No mais, o 37º festival vai chegando ao fim, teremos à noite a cerimônia de premiação, a partir das 21 horas, e – como tem ocorrido nos últimos anos – vou comentar os Kikitos para a TV Educativa do Rio Grande Sul, que acho que exibe em cadeia nacional. Vou antecipar o que premiaria, se fosse jurado. Melhor longa nacional, ‘Canção de Baal’, de Helena Ignez, e de resto tentaria concentrar o maior número de prêmios em ‘Corpos Celestes’, de Marcos Jorge e Fernando Severo. Gostei muito de ‘Corumbiara’, de Vincent Carelli, mas, de alguma forma, o efeito que ‘A Árvore da Música’ teve sobre mim diminuiu o impacto do outro filme. Conversei com o diretor Otávio Juliano e ele me disse que os dois filmes, o dele e o do Carelli, têm participado juntos de festivais internacionais. Muito interessante. De qualquer maneira, um filme de expressão tão pessoal como ‘Corumbiara’, construído na primeira pessoa, mereceria o prêmio de direção ou o espécial do júri, já que, por mim, não levaria o Kikito principal. Na competição internacional, meu favorito é ‘Gigante’, de Adrián Biniez, que também levaria o prêmio de ator, porque o cara (Horacio Camandule) é sensacional. Minha candidata a melhor atriz seria Magaly Solier, de ‘A Teta Assustada’, de Claudia Llosa, mas aí veio aquela argentina incrível (Valeria Bertucelli) de ‘Lluvia’, de Paula Hernández, e ela é minha favorita. Aliás, se Camandule não levar, outra opção seria justamente Ernesto Alterio, filho de Hector Alterio, que forma com Valeria a dupla de ‘Lluvia’. Um casal se encontra numa noite chuvosa, ele é casado, ela também (mas deixou o marido) e ambos demoram mais de 100 minutos para chegar ao (complicado) primeiro beijo, assim mesmo porque a mulher força a barra. Não sou muito de separar os prêmios de melhor filme e direção, e Biniez dirigiu muito bem o filme dele – com seu rigor minimalista -, mas desta vez aceitaria dirigir para premiar Fernando Solanas. Gostei muito de ‘La Próxima Estación’, que poderia levar o Kikito de direção ou o especial do júri. Acho que já disse uma coisa importante no post anterior. Se a gente for pensar isoladamente os filmes, vai chegar à conclusão de que alguns poucos são melhores (muito…) que os outros, mas na verdade, o que os curadores José Carlos Avellar e Sérgio Sanz buscam é um diálogo entre esses filmes, que se relacionam de forma até bastante curiosa. Podem-se fazer articulações, tirar ilações que terminam por justificar até a inclusão de filmes de que não gostei, como ‘Em Teu Nome’, de Paulo Nascimento. Por exemplo, há um eixo muito claro que une o filme de Nascimento ao de Solanas. Mais sutil, acho que há outro eixo que também relaciona ‘Gigante’ e ‘Corpos Celestes’ – não foi por acaso que passaram juntos, na última noite – e o filme de Biniez parece que estreia já na semana que vem, o que vai me permitir voltar bem rapidamente ao assunto. Enfim, não sei se volto ainda hoje ao blog. Estou saindo para tentar reencontrar, 50 anos depois, uma amiga de infância, que está aqui em Gramado. Mas volto, senão hoje, amanhã. Permaneço em Porto Alegre até segunda (ou terça). Até!