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Luiz Carlos Merten

23 Maio 2010 | 07h00

CANNES – Berlim já tem o Teddy Bear, o Urso de Ouro dos filmes gays. Cannes criou a Palme Queer e ela foi atribuída pela primeira vez a ‘Kaboom’, de Gregg Araki,  que integrava a seleção oficial, mas não a competição. Cannes teve este ano o que, para mim, foi um recorde. Teria de pesquisar, para poder afirmar com certeza, mas não me lembro de outro ano em que as séances speciales tenham sido quase tão numerosas quanto as exibições de filmes concorrentes à Palma. Foram 19 filmes em competição e 17 nas sessões especiais. Gregg Araki, que ganhou a Palme Queer, é um militnte que fez filmes dos quais gosto bastante. ‘Swoon’, que se chamou no Brasil, se não me engano, ‘Colapso do Desejo’, ‘The Doom Generation’ e ‘Mysterious Skin’ ultrapassam, com certeza, as fronteiras do gueto. Mas não vi ‘Kaboom’, que passou na madrugada, quase uma da manhã e eu ainda estava terminando de assistir a outro filme. Vou ficar devendo algum post sobre o novo Gregg Araki, que – espero – vá para o Festival do Rio e/ou a Mostra de São Paulo, mas se algum de vocês tiver visto e quiser comentar, be my guest. Aliás, começo a duvidar se tem realmente alguém lendo esses postas de Cannes. Ninguém comenta nada! Mais tradicional, outro prêmio ‘paralelo’ é a Palme Dog, que contempla a melhor interpretação canina em filmes pertencentes a quaisquer seções do festival. No ano passado, ganhou o cachorro da animação ‘Up – Altas Aventuras’, de Pete Docter. Este ano, o vencedor foi Boss, o boxer de ‘Tamara Drewe’, de Stephen Frears. O cãozarrão é muito importante na trama. Pertence ao roqueiro com quem a heroína se envolve e vive provocando o gado na fazenda em que a ação se passa, culminando no estouro da boiada que… Chega, Merten! Não vamos entregar o desfecho do novo Frears, que é bem legal, vale acrescentar. A Palme Dog é uma criação da jornalista inglesa Toby alguma coisa (Rose?). Ela criou o prêmio há dez anos, o que comprova que os cães sempre tiveram preferência sobre os gays em Cannes, pelo menos se considerarmos como a Palme Dog se antecipou à Queer. Ha-ha-ha (não estou falando do filme coreano que venceu Un Certain Regard). A Toby também faz esta premiação em Londres. Recentes vencedores foram os cães da rainha Helen Mirren, em outro filme de Stephen Frears. Vou ter de comentar isso com ele na próxima vez que o entrevistar (após ‘Chérie’ e ‘Tamara’).