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Luiz Carlos Merten

13 Maio 2009 | 19h54

CANNES – Achei a coletiva do júri meio chocha, para dizer a verdade, bastante chocha. Nunca me liguiei muito no júri, mas ao ver quem cercava Isabelle Huppert, como presidente, me bateu um entusiasmo. Atrizes como Asia Argento, Robin Wright Penn e Sho Qi, diretores como Nuri Bilge Ceylan e James Gray, o escritor e roteirista Hanif Kureishi. Achei que todos eles foram muito burocráticos. Isabelle descartou que o trabalho dos jurados seja ‘julgar’ os filmes. Disse que o grupo está ali para amar os filmes apresentados e a escolha final vai testemunhar esse amor, sendo que o amor, por princípio, é inexplicável ou, pelo menos, complicado de traduzir em palavras. Kureishi disse uma coisa ótima – que esse negócio de premiar só é bom para quem ganha. De resto, o júri foi fraquinho – espero que suas escolhas sejam melhores – e o que me anima é a entrevista de Madame la Présidente na revista ‘Madame’. Isabelle Huppert revela suas preferências em cima. ‘Notorious’, de Alfred Hitchcock; ‘O Intendente Sansho’, de Kenji Mizoguchi; ‘O Eclipse’, de Michelangelo Antonioni; ‘A Princesa e o Plebeu’, de William Wyler; ‘A Marca da Maldade’, de Orson Welles’; ‘Amores Brutos’, de Alejandro González Iñárritu; Charles Chaplin (‘todos os filmes’); e Stanley Kubrick (‘todos e mais um pouco’). Teria sido interessante ver como a presidente reagiria se alguém, pedrguntasse o quie, no fundo, todos querem saber. Isabelle é evota de Michael Haneke. Ele participa da competição. Irá ela fazer a balança pender para um de seus autores favoritos? Alguém, algum jornalista, observou que o trabalho de presidir um júri envolve muita diplomacia. Ela deu uma patada. ‘Isso aqui é um júri, não o Ministério de Relações Estrangeiras.” Para ela, o próprio regulamento do festival estabelece as regras em seu artigo primeiro. O cinema é um instrumento do humanismo. Suas regras, que não são bem reg ras, são estéticas, não comerciais. E é assim que ela e seus ‘presididos’ pretendem escolher.