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Luiz Carlos Merten

14 Dezembro 2009 | 16h33

Imagino que tenha gente por aí achando exagerada minha reação a ‘Avatar’. Mais do que uma experiência sensorial, acho que se trata de uma experiência mística e/ou religiosa. A afirmação me leva ao Padre Roberto Francisco Daniel, mais conhecido como Padre Beto. Em maio de 2006, ele me pediu que escrevesse a orelha de seu livro ‘Sem Medo de Voar – Uma Filosofia para o Cotidiano’, no qual reuniu crônicas sobre o período em que esteve na Alemanha. Fui procurar na internet o que escrevi – ‘Muita gente conhece Frei Betto e sua luta por um Brasil mais humano e mais justo. Menos gente conhece o Padre Beto, mas valeria inteirar-se da originalidade e riqueza do seu pensamento. Padre Beto é um pensador, o que quer dizer algo até certo ponto simples: é uma pessoa que pensa. Não há assunto que lhe escape, da religião à ecologia, da política à esperança, da família ao cinema.’ Acho que foi esse último que nos aproximou. Padre Beto me deu uma entrevista, que transformei em matéria no ‘Caderno 2’, discutindo Glauber à luz da teologia. Não apenas Glauber – James Cameron. Todo o final de ‘Titanic’, com a vida no interior do transatlântico que se reconstrói e o (re)encontro de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, é a sua ideia da assunção. A chegada ao paraíso. Na época, achei que era só uma interpretação possível, não a minha, mas interessante. Agora, estou achando que Padre Beto foi um visionário e apenas antecipou a sensação que tive hoje assistindo a ‘Avatar’.

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