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‘P.S’ e o sapato preto e vermelho de Hilary

Luiz Carlos Merten

30 Dezembro 2007 | 11h51

Fui ver ontem à noite, em pré-estréia, ‘P.S. – Te Amo’. Achei muito estranho. Começa mais para ‘Cenas de Um Casamento’ – a briga de um casal – do que para comédia romântica tradicional. Aliás, não é uma comédia romântica tradicional porque a segunda cena é de um velório e, a partir daí, você se pergunta – mas o que vai ocorrer agora? Afinal, o filme tem 130 minutos e terminou em dez. Não subestime o diretor e roteirista Richard LaGravenese. O tema da morte e uma certa morbidez me induziram a pensar que o cara talvez fosse de TV (e da série ‘A Sete Palmos’). Chegando em casa, fui pesquisar no Google e vi que LaGravenese concorreu ao Oscar pelo roteiro de ‘Fisher King’ (O Pescador de Ilusões), de Terry Gilliam – que começa com uma morte e o processo de culpa que ela desencadeia. O cara deve ser obcecado porque também escreveu ‘As Pontes de Madison’, de Clint Eastwood, com Clint e Meryl Streep, e ‘P.S. Te Amo’ trata, lá pelas tantas, de uma insatisfação como aquela que consome a dona de casa interiorana, atraída pelo estrangeiro – o fotógrafo -, mas presa a seus compromissos como esposa e mãe. Só agora me dei conta que, quando citei ‘Desencanto’, de David Lean, como um dos filmes mais românticos que conheço, alguém (quem?) disse que preferia ‘As Pontes de Madison’, mas o filme de Clint é quase uma refilmagem disfarçada de ‘Brief Encounter’ – ou não? Não saberia, assim à queima-roupa, dizer se gostei ou não de ‘P.S. – Te Amo’, ainda mais que havia revisto pouco antes ‘As Sombras de Goya’ e estava de novo chapado pelo filme do Milos Forman. Mas ‘P.S.’ é um filme fora de esquadro, que subverte, desde o interiores, códigos narrativos convencionais. Só vou acrescentar uma coisa. Entrevistei, este ano, na Cidade do México, Hilary Swank. Achei-a bem mais bonitona e charmosa do que parece na tela, onde a imagem ‘machona’ de ‘Meninos não Choram’ e ‘Menina de Ouro’ meio que travam suas tentativas de mudar de personagem. Mas o curioso é o seguinte. Hilary é alta e magra, parece ainda mais alta porque é muito magra. Olhei para os pés dela e me chamou a atenção o sapato – alto, e preto e vermelho. Ontem, vendo o filme, quase gritei – é o sapato que ela usava no México! Sapatos viram importantes no filme de LaGravenese. Aquele, então, nem se fala. Saiu da tela para o guarda-roupa da atriz.

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