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Outro ‘Caçador’

Luiz Carlos Merten

22 Janeiro 2008 | 11h42

Acho que coloquei o título do post anterior só para poder falar o que vou dizer agora. Estou lendo outro ‘Caçador’ – na realidade, ‘O Coração É Um Caçador Solitário’, que Carson McCullers escreveu quando era bem jovem (22 ou 23 anos) e inspirou o filme de Robert Ellis Miller com Alan Arkin e Sondra Locke, a ex-senhora Clint Eastwood, nos anos 60. Posso estar equivocado, mas Carson me parece muito próxima de Tennessee Williams. Ambos foram contemporâneos e tinham uma atração muito grande por personagens frágeis, cujos sonhos se chocam a realidade e para os quais o sexo é sempre uma fonte de tormento. E não apenas isto. Ambos possuem uma prosa delicada – feminina? – e a Carson ainda possui uma estrutura original, na qual o relato, em 3ª pessoa, é sempre levado por um personagem diferente (e que vai fazendo evoluir a história). Lendo o livro, fiquei com vontade de rever o filme, do qual confesso que não havia gostado, mas que tem defensores ardorosos. A literatura de Carson McCullers inspirou outros filmes – ‘Membro do Casamento’, acho que é assim que se chama o filme de Fred Zinnemann, e ‘Os Pecados de todos Nós’, que se baseia em ‘Reflections in a Golden Eye’, que eu nunca li, mas o filme foi aquele que me convenceu que o John Huston era um grande diretor. Pertenço a uma geração (em Porto Alegre) que não gostavas muito do Huston e que o negava pelo que descobri depois ser sua maior virtude – a ausência de um estilo. No começo dos anos 60, Huston fez ‘Freud, Além da Alma’, que tinha roteiro original de Jean-Paul Sartre, mas o diretor achou que o roteiro era infilmável (pois daria um filme de dez horas) e o fez reescrever por Anthony Veiller. Na época, arrasado pelos críticos, ‘Freud’ se revelou fundamental na evolução de Huston, pois o dotou da psicanálise como uma ferramenta que lhe permitiu realizar, a seguir, ‘A Noite do Iguana’ e ‘Os Pecados’. Leiam a Carson e depois me digam se ela não é boa.

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