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Luiz Carlos Merten

24 Dezembro 2009 | 21h13

PORTO ALEGRE – Mauro Brider aproveita o post de ’55 Dias de Pequim’ para comentar a data de hoje e dizer que ‘A Felicidade não Se Compra’, de Frank Capra, é seu filme favorito de Natal. Teu e de mais um bilhão de pessoas ao redor do mundo, Mauro. Fala-se tão mal de Capra e de seus truísmos e, claro, não faltaram as biografias desmistificadoras, para dizer que o cineasta que personificou o espírito do New Deal e que encarnou os ideais democráticos – além de disseminar a crença de que dinheiro não traz felicidade – na verdade era um canalha autoritário, ou coisa que o valha. Quero dizer que essas ‘interpretações’ não me impressionam muito nem vão me fazer lamentar os bons momentos que devo a Capra no escurinho do cinema. E ‘A Felicidade não se Compra’ é um belo filme. O pesadelo de James Stewart, quando seu anjo o confronta com o que seria o mundo sem ele, é emocionante, ou então eu sou um idiota completo, hipótese que não descarto. Mas a verdade é que revi ‘A Felicidade’ (It’s a Wonderful Life), na TV, não faz muito tempo, e foi uma experiência prazerosa. Isso não me impede de dizer que curto outros filmes bem mais barra pesadas sobre o Natal. ‘Os Gremlins’, de Joe Dante, é um deles, com os monstrinhos que se atracam alegremente com os símbolos natalinos, numa destruição que vai na contramão de Capra, mas é simplesmente irresistível. E tem um filme que agora não me lembro, teria de pesquisar, em que Christopher Plummer – acho que era ele – faz um Papai Noel sanguinário. Mais recentemente, achei tão bonito o ‘Conto de Natal’ de Arnaud Desplechin. A despeito do espírito natalino, o filme era uma tragédia familiar em que a mãe dominadora (Catherine Deneuve) fica à mercê do filho pródigo (Mathieu Amalric). E, aliás, em matéria de Natal em família, nenhum é mais corrosivo do que o de Mario Monicelli em ‘Parente É Serpente’, quando os filhos começam a rifar os velhos pais em plena ceia. Se pensasse mais um pouco, acho que encontraria outros filmes para lembrar (estou falando dos que gosto). Raros rezam na cartilha dos bons sentimentos. Mas com esses eu me despeço por hoje e desejo a todos FELIZ NATAL! Ouçam os sininhos – Jingle bells! Jingle bells!