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Luiz Carlos Merten

15 Setembro 2006 | 15h44

Na próxima quarta-feira, dia 20, uma reunião a ser realizada na sede do MinC, em Brasília, vai apontar o candidato brasileiro à disputa para uma vaga na categoria de Oscar de melhor filme estrangeiro. Provavelmente terei de voltar ao assunto nos próximos dias, porque este é sempre um tema que rende. Treze filmes estão inscritos. Aqui vai a lista:
A Máquina, de João Falcão
Anjos do Sol, de Rudi Lagemann
Bens Confiscados, de Carlos Reichenbach
Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes,
Cafundó, de Paulo Betti e Clóvis Bueno
Depois Daquele Baile, de Roberto Bontempo
Doutores da Alegria, de Mara Mourão
Estamira, de Marcos Prado
Irma Vap, de Carla Camurati
O Maior Amor do Mundo, de Cacá Diegues
Tapete Vermelho, de Luiz Alberto Pereira
Vida de Menina, de Helena Solberg
Zuzu Angel, de Sérgio Rezende
Não querendo influenciar ninguém, mas influenciando, talvez, acho que a gente não deveria pensar nos filmes que achamos que agradariam à academia, mas nos que nos agradam porque têm a nossa cara. Já que a escolha, por esse critério, não tem dado muito certo, por que não se concentrar logo no melhor filme e se lixar se vão gostar ou não? O melhor, pelo menos para mim, é Cinema, Aspirinas e Urubus. O melhor, o mais ousado, o mais inovador e olhem que também gosto de O Maior Amor do Mundo, A Máquina e Tapete Vermelho.
O Oscar talvez seja a maior frustração do cinema brasileiro. Já tivemos Palma de Ouro, Urso de Ouro, Leão de não sei o quê, mas nada de Oscar. Precisamos ganhar um só pela auto-estima, para que todos vejam que não vai ser o Oscar que vai mudar a aceitação do cinema brasileiro no próprio mercado, embora exista uma classe média que só vê cinema de shopping e aí talvez ficasse motivada. O Oscar pode significar prestígio, dinheiro, mas no fundo ficou tão irrelevante que, por Deus!, numa palestra que dei esta semana me perguntaram pelo prêmio e eu comecei a falar de Crash, Brokeback Mountain, Philip Seymour Hoffman. Aí me deu um branco. Não consegui me lembrar da melhor atriz deste ano. Pode ser só falha minha, mas não é. A gente esquece porque sabe que é irrelevante. E, depois, pensar com a cabeça dos outros não dá certo. Há alguns anos, todo mundo achava que Amélie Poulain ia ganhar o Oscar, que havia uma campanha orquestrada para isso e não sei o que mais. Ganhou o mais político e o que menos tinha cara de Oscar entre os cinco indicados – Terra de Ninguém, de Danis Tanovic. Que vença o melhor!