Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Oscar europeu

Cultura

Luiz Carlos Merten

05 Dezembro 2006 | 13h40

Espero que não seja o Oscar a desagravar Pedro Almodóvar, para não prejudicar as chances de Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes, na corrida pela estatueta de melhor filme estrangeiro. Almodóvar era favorito no Festival de Cannes e perdeu a Palma de Ouro. Era favorito no European Film Award, mas teve de se contentar com cinco prêmios, incluindo os de melhor diretor e atriz (Penelope Cruz) por Volver, mas não emplacouo que mais queria – o de melhor filme, que foi para um azarão, o alemão Das Leben der Anderen (As Vidas dos Outros), de Florian Henckel. Embora seja considerado o Oscar europeu, o European Film Award não tem muita cobertura de mídia, o que tem a ver, obviamente, com a hegemonia de Hollywood sobre os mercados mundiais. A própria Sociedade Européia de Cinema, que atribui o prêmio, surgiu no fim dos anos 80 como uma entidade de resistência ao avanço norte-americano. Seu primeiro presidente (de honra) foi Ingmar Bergman e o colegiado tem 40 realizadores, entre os mais prestigiados da Europa, com direito a voto. Na premiação deste ano, realizada no sábado na Polônia, Roman Polanski ganhou o prêmio especial de carreira, o francês Phililppe Garrel recebeu o prêmio da crítica por Os Amantes Constantes e The Science of Sleep, de Michel Gondry, que vi em Berlim, em fevereiro, e não me impressionou muito, ganhou o troféu como melhor contribuição artística à indústria do audiovisual. Preciso rever o filme do Gondry, de quem também já não havia gostado muito de Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembrança. Sei que tem gente que é louca pelo cara e adorou A Ciência de Dormir, que tem Gael García Bernal à frente do elenco. Só para fechar – Ulrich Mühe foi o melhor ator, por As Vidas dos Outros. E Almodóvar deve estar repetindo o que já havia dito em Cannes. Ser favorito é uma m… porque em geral é a garantia de que não se vai ganhar. Almódovar foi considerado diretor-revelação por Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos, no primeiro ano de premiação do European Film Award (que se chamava Félix). Ganhou depois em 1999 e 2002, somando os prêmios de direção e roteiro por Tudo sobre Minha Mãe e Fale com Ela. Ou seja, seu talento tem sido amplamente reconhecido, mas ainda lhe falta, é ele próprio quem diz, o troféu de melhor filme. Pode ser simples vaidade, mas Rainer Werner Fassbinder também morreu frustrado por não haver chegado nem perto de realizar seu sonho. Como filmava muito, Fassbinder não deixava por menos e queria ganhar, no mesmo ano, o Urso de Outro em Berlim, a Palma de Ouro em Cannes e O Leão de Ouro em Veneza.

Encontrou algum erro? Entre em contato