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Cultura » ‘Os Residentes’, de Minas para o mundo

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Luiz Carlos Merten

08 Janeiro 2011 | 10h39

Já polemizei muito com meu colega Luiz Zanin Oricchio e não apenas naqueles textos ‘Gostei’/’Não gostei’, que o ‘Caderno 2’ volta e meia publica, quando divergimos frontalmente na crítica de determinados lançamentos. Mas também já polemizei em debates em festivais. Lembro-me que, no Recife, quando passou o filme do Oswaldo Montenegro, Zanin desmontou o filme – estava no seu direito -, mas falou num tom que não comportava outra visão. Entrei rachando justamente para ressaltar que aquela era a visão dele, e não era a única possível. Nunca é. Não li a crítica de Inácio Araújo sobre o filme de artes marciais de M. Night Shyamalan, mas imagino que ele tenha gostado mais de ‘O Mestre do Ar’ do que eu (e olhem que gostei). Tive a curiosidade de conferir a cotação no guia da concorrência e, ao lado da cotação máxima do Inácio, havia sei lá quem dizendo que era horroroso, indefensável. Pode parando. Shyamalan é sempre defensável, só tem de pensar. Term gente que acha que filme ‘físico’ não tem cabeça, não é para pensar. Associam o pensamento ao discurso, à palavra, como em Godard e Bressane. Escrevo tudo isso porque, no recente Festival de Brasília, Zanin e eu entramos em rota de colisão, no próprio debate sobre o filme, por causa de ‘Os Residentes’, de Tiago Mata Machado. Soube depois que Zanin ganhou um reforço, de sei lá que integrante do júri que concordou com ele que o vanguardismo de ‘Os Residentes’ estava uns 40 anos atrasado (e o Godard de ‘Filme Socialisme’, então? Será que gostaram? Encontrei outro dia uma diretora que ficou no meu ouvido protestando contra o fato de o filme ser tão mal realizado, até para os padrões desconstrutivistas e desmistificadores de Jean-Luc. Não concordei  integralmente, pelo menos -, mas achei interessante o que ela disse.)  Toda essa conversa é para dizer que estou duplamente feliz pelo Tiago. ‘Os Residentes’ foi selecionado para o Festival de Tiradentes, em janeiro, curadoria de Cleber Eduardo. E, em fevereiro, vai para o Fórum de Berlim, que tem grande abertura para o cinema de invenção. Acho genial a cena do casal, aquela conversa truncada. Estou nos cascos para ver como a plateias berlinense vai reagir. Espero que melhor do que a de Brasília, incluindo os ‘críticos’.