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Luiz Carlos Merten

01 Dezembro 2010 | 23h35

Estou chegando em casa depois de jantar num japonês de Pinheiros com minha filha, Lúcia, e Dib Carneiro. Foi bem divertido, mas um pouco menos de saquê talvez tivesse sido recomendável (mas aí, talvez, não fosse tão engraçado). Ainda não falei nada sobre a premiação de Brasília, ocorrida ontem. Meu amigo Alessandro Giannini, o Gia – tu! -, levou Margarida Oliveira às lágrimas, isso porque a Margô, confiando no gênero humano, liberou a premiação em nota à imprensa, com embargo até a meia-noite e, às 22h30, quem subia ao palco do Cine Brasília para receber seu Candango já sabia de toda a premiação através do UOL. Por um lado foi feio, mas, por outro, é o que dá confiar na imprensa. O dever do jornalista é informar, e quanto antes melhor, embora neste caso o chamado ‘furo’ não tenha mérito nenhum, pelo contrário. Mas, enfim, não estou aqui para puxar a orelha de ninguém, embora seja uma conclusão óbvia esperar que a Margarida, no ano que vem, não antecipe nada dos Candangos e o povo que espere pelo resultado do palco. Não vi o filme mineiro que venceu o festival, com cinco Candangos, incluindo os de melhor filme e diretor. Flávia Guerra, ao retornar de Brasília, já me antecipara que ia dar ‘O Céu Sobre os Ombros’, de Sérgio Borges. Ainda não vi e espero gostar, mas não posso dizer que o júri tenha sido insensível aos dois filmes que vi e gostei. ‘Os Residentes’ recebeu quatro Candangos e ‘Transeunte’, dois. Gostei de ambos, até mesmo da forma como dialogam entre si, mas não creio que a galera que não gostou, principalmente do filme de Tiago Mata Machado, tenha coragem de contestar os prêmios de melhor ator e atriz, para Fernando Bezerra (pelo filme de Minas) e Melissa Dullius (pelo do Rio). Sobre o filme de Tiago não resisto a fazer uma observação. Muita gente achou o diretor de ‘Os Residentes’ pretensioso e eu confesso que, etmologicamente, tenho dificuldade para entender a palavra, a partir de sua raiz, como uma coisa ruim. A pretensão costuma ser vista pejorativamente, mas me pergunto se é, mesmo. Como critério de (des)qualificação estética me parece tão absurdo quanto dizer que ‘Moulin Rouge’ é chato, como fez a ‘Veja’. Só como curiosidade, antes da entrevista com Francis Ford Coppola, entrei na internet para pesquisar o nome do ator que faz o irmão de Vincent Gallo em ‘Tetro’. Gosto demais do novo Coppola. O filme estreia dia 10, sexta-feira da próxima semana, para quem quiser conferir. A curiosidade é que encontrei, na pesquisa, muita coisa da reação da imprensa norte-americana a ‘Tetro’. Pretensious e self conscient foram as definições que mais encontrei, e para demolir o filme. Não me convencem, como não convencem aplicadas a ‘Os Residentes’.

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