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Os novos alemães (1)

Luiz Carlos Merten

12 Outubro 2008 | 21h09

Mario Kawai pegou carona no meu post sobre Wim Wenders na Mostra e acrescentou seu comentário sobre o ciclo do novo cinema alemão no Centro Cultural da Caixa, na Praça da Sé 111. Até já decorei o endereço, mas confesso que ainda não passei por lá, para ver se é legal. Mas quero dizer duas ou três coisas sobre o tal novo cinema alemão. A Mostra de 2008, além de dar carta branca a Wenders, exibe a íntegra de ‘Berlim Alexanderplatz’, de Fassbinder. Tenho de confessar, em nome da honestidade, que nunca assisti às 15 horas completas e talvez deva acrescentar que nem espero fazê-lo desta vez. Prefiro esperar pelo que me disse meu colega Antônio Gonçalves Filho – que a Versátil vai lançar ‘Berlim Alexanderplatz’ e aí poderei ver o filme em casa, em DVD, por partes. Assisti à erupção do novo cinema da Alemanha em Porto Alegre, por meio das retrospectivas e prtogramações especiais que o Instituto Goethe fazia por lá, antes que alguns de seus autores chegassem ao circuito (Herzog, Fassbinder, Schlondorff, Wenders etc). Tenho um sentimento ambivalente em relação a Fassbinder e Wenders. Reconheço a importância dos dois, mas sou um pouco seletivo em relação a seus filmes. Gosto muito de alguns filmes de Fassbinder (‘Effi Briest’, ‘As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant’ e ‘O Casamento de Maria Braun’), mas não tenho muita paciência com ‘Verônica Voss’ nem ‘Lili Marlene’ nem ‘Lola’. Em compensação, achei fascinante a teatralidade e estilização visual de ‘Querelle’, no qual encarou, como em ‘O Direito do Mais Forte’, o tema crucial para ele da homossexualidade. De Wenders, acho que posso dizer que gosto mesmo – muito – de um só filme, ‘Paris, Texas’. Acho ‘A Solidão do Goleiro Diante do Pênalti’, ‘Alice nas Cidades’, ‘Movimento em Falso’ e ‘No Decurso do Tempo’ interessantes, mas não muito mais do que isso. Nunca consegui entrar em ‘Asas do Desejo’, que virou cult e eu nunca entendi bem por que. Detestei aquele ‘Até o Fim do Mundo’ e achei ‘Palermo Shooting’, que vi este ano em Cannes, um descalabro. Meu único outro Wenders que amo incondicionalmente é o que mais se aproxcima de ‘Paris, Texas’, outra parceria com o dramaturgo e, desta vez, ator Sam Shepard, ‘Estrela Solitária’. Sempre gostei mais do romantismo exasperado do Herzog, em ‘Aguirre’ e ‘Kaspar Hauser’ (principalmente). Schlondorff me interessou muito em ‘O Jovem Torless’, ‘Katharina Bloom’ e ‘Tiro de Misericórdia’. ‘O Tambor’ me desconcertou, mas tenho de admitir que só vi o filme uma vez (o que é raro para mim). Achei o Proust dele um fiasco (‘Um Amor de Swann’) e, se não fosse a Julie Delpy, teria achado outra adaptação dele, ‘O Viajante’ (de Max Frisch), insuportável. Dos (ex) novos alemães, confesso que sempre gostei mais daqueles que eram considerados mais árduos. No próximo post.