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Luiz Carlos Merten

31 Dezembro 2010 | 12h05

Conversei bastante com Antônio Gonçalves Filho sobre os filmes de Francis Ford Coppola e Marco Bellocchio que encabeçaram minha lista de melhores, ‘Tetro’ e ‘Vincere’. Ambos tratam da dificuldade de viver à sombra do gênio (ou do tirano). São filmes sobre a família, tragédias familiares. Toninho detestou um e outro. Coppola não vê saída fora da família, mas a família de Coppola nunca é a tradicional, bastando lembrar a saga do ‘Chefão’ ou o encontro geracional de Dennis Hopper e Mickey Rourke em ‘O Selvagem da Motocicleta’. A personagem de Vittoria Mezzogiorno em ‘Vincere’ é uma vítima, mas é uma simplificação considerá-la vítima do fascismo. Ela é vítima de si mesma e, neste sentido, é uma louca que criou o monstro que se voltou contra ela (Mussolini) e agora quer garantir os direitos do filho, que mimetiza o pai e Vittoria, no fundo, espera que ele seja monstruoso igual. É o que faz a complexidade de ‘Vincere’. Vittoria Mezzogiorno foi a melhor atriz de 2010 – olhaí, Severo. Sua sorte é que não tenha entrado ‘Cisne Negro’, porque neste caso não teria para ninguém. Seria Natalie Portman. O melhor ator do ano, não penso duas vezes, foi o chadiano Youssouf Djaoro, de ‘Um Homem Que Grita’, de Mahamat Saleh Haroun. Que que é aquilo, meu Deus? Mass poderia ter sido, por que não?, o Wagner Moura de ‘Tropa 2’. A melhor trilha? Coppola. Tango! A melhor fotografia? Coppola. Preto e branco, suntuoso. O melhor roteiro? ‘A Rede Social’. Labiríntico. A melhor montagem? ‘A Origem’. Que palavra usar para defini-la? ‘Kubrickiana’. São os ‘meus’ melhores de 2010. Sintam-se à vontade para acrescentar ao blog os de vocês.