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Luiz Carlos Merten

13 Dezembro 2007 | 20h46

Vou prosseguir com a postagem das listas de melhores que Raymond Benson estabeleceu para a revista Cinema Retro, especializada em filmes dos anos 60 e 70. Os melhores de 1962, para ele, foram, pela ordem –
1. ‘Círculo do Medo’ (Cape Fear), de J. Lee Thompson, com Gregory Peck e Robert Mitchum, que motivou um comentário interessante. A edição estampa uma foto de Mitchum como o vilão Max Cady e diz que o filme é um exercício de suspense de mestre, uma raridade que o próprio Hitchcock deveria invejar. O remake de Scorsese, nos anos 90, que se chamou no Brasil ‘Cabo do Medo’, é ainda mais violento, mas eu não diria que é melhor.
2. ‘O Satânico Dr. No’, de Terence Young, primeiro filme com Sean Connery na pele de 007 e primeiro da série oficial com o agente criado pelo escritor Ian Fleming. Os créditos de abertura são geniais e a cena de Ursula Andress como Honey, saindo do mar de biquíni e com aquela adaga na cintura, fez dela um ícone erótico da década que mudou tudo.
3. ‘Jules e Jim’, de François Truffaut, lançado no Brasil como ‘Uma Mulher para Dois’. Acho que é um dos grandes filmes do Truffaut, embora prefira – já disse – ‘O Garoto Selvagem’. Mas o tema de Truffaut, a saudade das coisas mortas que permanecem vivas e das coisas vivas que começam a desaparecer, é muito forte e acho que fica transparente naquele desfecho, quando Oskar Werner recolhe as cinzas de Jeanne Moreau e Henri Serre.
4. ‘Lawrence da Arábia’, de David Lean, com Peter O’Toole. O que mais dizer? O cinema nunca mostrou o deserto com aquele esplendor de imagem. Ah, sim, a fotografia era assinada por Freddie Young e valeu um dos sete Oscars recebidos ppelo épico de Lean, incluindo melhor filme e direção.
5. ‘Lolita’, de Kubrick, do qual gosto principalmente por Peter Sellers e Shelley Winters.
6. ‘O Mais Longo dos Dias’. O épico de guerra sobre o desembarque dos aliados na Normandia, no Dia D, foi um projeto do produtor Darryl Zanuck, o lendário tycoon da Fox, que comasndou um batalhão de diretores e técnicos (Ken Annakin, Andrew Marton, Bernhard Wicki). Devo ter visto esse filme umas 30 vezes. Tinha um cunhado que trabalhava no antigo Cine Coral, em Porto Alegre, e me deixava entrar. Cada dia eu revia uma parte. Com todo o avamnço tecnológico, a pirotécnico desembarque aliado na abertura de ‘O Resgate do Soldado Ryan’, do Spielberg, não é tão bom quanto o do velho Zanuck, filmado em preto-e-branco, como um documentário de época.
7. ‘O Homem Que Matou o Facínora’, de John Ford, com John Wayne e James Stewart. Para mim, é o primreiro da lista. Gosto mais do que de ‘Lawrence da Arábia’ (se isso é possível). E a frase final, ‘Print the legend’, faz parte das minhas emoções inesquecíveis no cinema.
8. ‘Sob o Domínio do Mal’ (The Manchurian Candidate), de John Frankenheimer, com Frank Sinatra, Laurence Harvey, Janet Leigh e Angela Lansbury. Feito em plena Guerra Fria, o filme é uma das obras emblemáticas da época, com o ‘Dr. Fantástico’ do Kubrick. O remake do Jonathan Demme, com Denzel Washington e Meryl Streep, até que é razoável, mas o original..
9. ‘O Milagre de Anne Sullivan’ (The Miracle Worker), de Arthur Penn, com Anne Bancroft como a professora que reasgata a cega, surda e muda Helen Keller do seu isolamento. Anne e Patty Duke, que faz Helen, ganharam os Oscars de atriz e coadjuvante e o filme, narrado sem nenhum sentimentalismo, é um dos melhores de Penn, um dos grandes diretores de Hollywood nos anos 50 a 70, quando fez clássicos como ‘Um de Nós Morrerá’, ‘Bonnie & Clyde’ (Uma Rajada de Balas), ‘Deixem-nos Viver’ (Alice’s Restaurant) e o melhor de todos, ‘Um Lance no Escuro’, com Gene Hackman, que, para mim, é o grande filme – o definitivo – sobre os anos do escândalo de Watergate.
10. ‘O Sol É para Todos’ (To Kill a Mockingbird), de Robert Mulligan, com Gregory Peck como Atticus Finch, o advogado que dá aos filhos uma lição de cidadania no qwuadro do julgamento de um negro acusado de violentar uma branca, no racista Sul dos EUA. Uma pesquisa do American film Institute apontou Atticus como o maior herói (ético) de Hollywood. Não é exagero. Peck ganhou o Oscar e ele, que fecha a lista de Raymond Benson, também a abre como o advogado caçado de ‘O Círculo do Medo’.