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Cultura » Os Leões de Veneza

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Luiz Carlos Merten

09 Setembro 2007 | 12h20

E Ang Lee, depois de namorar o Leão de Ouro com O Segredo de Brokeback Mountain, ganhou ontem o prêmio máximo do Festival de Veneza com Se, Jie (Lust Caution). Brian De Palma foi o melhor diretor, por Redacted, sobre a Guerra do Iraque; Brad Pitt, o melhor ator, por the Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford; Cate Blanchet, a melhor atriz, por I’m not There; e Todd Haynes recebeu o prêmio especial do júri, por I’m not There, do qual a única coisa coisa que sei é que três ou quatro atores se revezam, no papel de Bob Dylan. Como o Festival de Veneza termina muito em cima do início do Festival do Rio, quase nada do que é exibido (e premiado) no Lido passa no evento carioca, que começa dia 20. Vamos ter de esperar pela Mostra de São Paulo, já que Leon Cakoff traz quase toda a premiação de Veneza e isso vira um diferencial importante em relação ao Rio. É um quadro de premiados e tanto. Pode-se especular, mas é bobagem, se o fato de Zhang Yimou ser o presidente do júri favoreceu a premiação de Ang Lee. Deve ter favorecido, mas como gosto até dos filmes considerados ruins do diretor (Cavalgada com o Diabo), estou nos cascos para ver Lust Caution, mesmo sem saber nada do que se trata. Todd Haynes é outro que respeito para ca…ramba. Longe do Paraíso é maravilhoso. Só uma coisa. A premiação, mesmo que venha a se confirmar como merecida – mas Brian De Palma precisa ter melhorado muito, depois do horroroso A Dália Negra (desta vez, acertei a cor) –, destaca a fina flor do cinemão de arte. No ano passado, a premiação final (Jia Zhang-ke, Alain Resnais) parecia mais ousada, pelo menos à distância. Vamos esperar, para conferir. Já comentei com vocês que Zhang Yimou será o diretor do show de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim? Ou será do filme oficial? Grandes cineastas têm feito esses filmes, seguindo a trilha de Leni Riefenstahl, quando fez Olímpiada (sobre a de Berlim, em 1936). Kon Ichikawa dirigiu o filme das Olimpíadas de Tóquio; o de Munique teve diversos diretores (e Arthur Penn, Milos Forman e Mai Zetterling assinaram os melhores episódios); mas eu acho que o mais belo de todos esses filme é o do diretor mais obscuro, Romollo Marcellini, que fez o da Olimpíada de Roma, em 1960.