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Cultura » Os ‘Garréis’, pai e filho

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Luiz Carlos Merten

22 Maio 2008 | 06h06

CANNES – Acabo de ver o novo filme de Philippe Garrell. `La Promesse de l`Aube` divide-se em duas partes. A primeira parte é ‘Amantes Constantes 2’, filmada em rigoroso preto-e-branco e permeada de discussões políticas e estéticas (sobre anti-semitismo e revolução, por exemplo). O filho de Philippe, Louis Garrel – que também apresenta aqui este ano seu curta de estréia como diretor -, faz um fotógrafo que se envolve com uma estrela de cinema. Ela é instável, emocionalmente. Vive o amor como gesto impulsivo, sem a contrapartida da palavra consciente que François Truffaut, e qualquetr pessoa sensata, considera indispensável para que as coisas funcionem. Existe uma segunda parte, um ano depois do ‘ocorrido’. Os jornalistas norte-americanos, muito simplificadores, viram aí uma espécie de ‘Ghost’, mas na realidade Garrel pai está propondo uma discussão de fundo psicanalítico, sobre a culpa que corrói o subconsciente. Encontrei Kléber Eduardo, do Recife, na saída da sessão e ele disse uma coisa com a qual concordo – é um filme que é preciso rever fora deste ambiente cínico e festivo de festival. Aqui dentro, ‘A Promessa do Amanhecer’ – estou traduzindo, mas não era este o título nacional do filme de Jules Dassin com Melina Mercouri, adaptado do romance de Romain Gary? – parece um OVNI, um filme muito antigo, encontrado no baú. Tenho certeza de que ‘Cahietrs du Cinéma’ vai adorar.