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Cultura » Os dez mais do milênio

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Luiz Carlos Merten

25 Agosto 2009 | 13h33

Vocês que vivem navegando na internet devem saber melhor do que eu. O IMDB, um site especializado em cinema e televisão, divulgou uma lista dos dez melhores filmes do milênio, de 2000 até hoje. O primeirão da lista foi ‘Batman – O Cavaleiro das Trevas’, de Christopher Nolan, seguido por ‘O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei’, de Peter Jackson – eu preferiria o 2, ‘As Duas Torres’ –, mas o terceiro melhor filme do milênio é que me interessa aqui. Qual foi, qual foi? Tã-tã-tã-tã – ‘Cidade de Deus’, de Fernando Meirelles. Há sete anos, quando ‘Cidade de Deus’ irrompeu nas telas, desencadeou aquela polêmica. Meirelles e seu diretor de fotografia, César Charlone, estariam transformando a estética da fome do Cinema Novo em cosmética da miséria. Choveram críticas. Nem sei se a polêmica persiste, mas o filme com certeza virou ‘a’ referência de cinema brasileiro em todo o mundo. Já me acostumei. Em qualquer lugar, entrevistando estrangeiros, basta dizer que sou do Brasil e as pessoas reagem – ‘City of God’! Os detratores poderão dizer que o olhar de Meirelles e Charlone é mesmo para gringos, mas, no fundo, sabem que não é verdade. Entrevistei no fim de semana o alemão Dennis Gansel, diretor de ‘A Onda’, em cartaz nos cinemas. O filme discute a tentação do autoritarismo nazista, concentrado na sala de aula em que professor realiza experimento com seus alunos. ‘Cidade de Deus’ esteve sempre no imaginário de Gansel, mas não, talvez, pelos motivos que a maioria pode pensar. O diretor diz que não conhece outro filme que dê tanta conta, sem moralismo, da diversidade do grupo. O garoto que vira traficante – ‘Meu nome é Zé Pequeno, caralho!’ –, o que tenta sair da violência pela via da arte (a fotografia), todos são reais, verdadeiros e o diretor, mesmo deixando claro seu partido de indignação social, não os julga. Revi outro dia, em DVD, o começo de ‘Cidade de Deus’. Aquela armação de guerra, a câmera rodopiando em torno do garoto (e a ação que recua no tempo). O samba, a corrida atrás da galinha, tudo é maravilhoso. Sete anos depois, revi a cena com o mesmo frescor, como se fosse novidade. Já que iniciei o post e coloquei três filmes, os primeiros, vamos aos demais na lista de dez – ‘O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel’, ‘Up – Altas Aventuras’, ‘Amnésia’ (de novo Christopher Nolan), ‘O Senhor dos Anéis – As Duas Torres’ (meu favorito e o terceiro Peter Jackson na lista), ‘Wall-E’, ‘O Fabuloso Destino de Amélie Pulain’ e ‘Os Infiltrados’. Naturalmente que não estou considerando a lista ao pé da letra. Ela me interessa como avaliação de tendências e, talvez, reconhecimento do gosto do público. Jamais consideraria ‘Up’ e ‘Wall-E’ superiores a ‘Ratatouille’, por exemplo, e também não incluiria ‘Amélie Pulain’ nem Scorsese, ‘Os Infiltrados’. Colocaria mais filmes brasileiros – ‘Cinema, Aspirinas e Urubus’, de Marcelo Gomes, por que não? Hollywoodianos? ‘Little Children’, de Todd Field? Como é mesmo que se chamava no Brasil – ‘Pecados Íntimos’?