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Os Deuses Malditos (1)

Luiz Carlos Merten

09 Novembro 2007 | 14h18

Antônio Gonçalves Filho me passou ontem a nova – a Versátil lança agora em dezembro o DVD duplo de ‘Os Deuses Malditos’, de Luchino Visconti. Por volta de 1970, o filme teve distribuição internacional da Warner, com o título ‘The Damned’. Na Itália, era ‘La Caduta degli Dei’. Imagino que ‘Os Deuses Malditos’ esteja chegando via Itália, ou via Cryterion, dos EUA, porque a WEarner não ia simplesmente repassar os direitos. O DVD será duplo, vindo se somar a todos os outros Viscontis que a Versátil já lançou, incluindo o meu muito amado ‘Rocco’. Hoje de manhã, até cheguei um pouco tarde na redação do ‘Estado’ porque não resisti a dar uma folheada no álbum do Bruno Villiers sobre o grande Luchino, que comprei em Porto Alegre, na Rua da Praia, na Livraria Kosmos, uma das tantas que, pelo Brasil afora, tiveram de fechar quando o mercado de livros passou a ser polarizado pelas empresas mega, tanto as editoras quanto as ‘book stores’. O livro do Villiers é a bíblia sobre Visconti e tem as mais belas fotos do mundo. Antes de chegar ao capítulo sobre ‘La Caduta degli Dei’, A Queda dos Deuses (‘Gotterdamerung’, em alemão), terminei pescando uma história sobre ‘O Leopardo’ que não resisto a postar aqui, um comentário de Claudia Cardinale. O próprio Villiers observa que ‘O Leopardo’ foi o maior sucesso de Visconti e o seu filme mais premiado, a começar pela Palma de Ouro em Cannes (a proposito, ‘Hara-kiri’, de Masaki Kobayashi, ganhou o prêmio especial do júri naquele ano e outro prêmio foi criado, o troféu Gary Coopper, para recompensar ‘O Sol É para Todos’, de Robert Mulligan). Todo esse sucesso não se confirmou nos EUA, onde a crítica caiu matando, por não aceitar o Burt Lancaster como príncipe siciliano. Só hoje me dei conta de uma coisa – acho que essa reação negativa, da crítica e do público, foi que levou a Fox a mutilar ‘O Leopardo’ daquele jeito. O filme foi lançado numa versão em inglês e remontada, com cortes brutais e até a ordem das seqüências alterada. Só bem mais recentemente, nos anos 90, a restauração devolveu ao filme todo o seu esplendor – e a Pandora, de André Sturm, trouxe a versão completa para a admiração dos viscontimaníacos de carteirinha (como eu). Eis o que conta Claudia – estavam todos em Nova York para a première, vieram as críticas, criou-se um clima de velório no hotel. Felizmente havia Warren Beatty, conta Claudia, que quase fez o papel de Tancredi – a Fox o preferia a Alain Delon, mas Visconti bateu pé. Beatty passou a madrugada ao piano tocando para o entourage de Luchino. Já imaginaram a cena? Dava outro filme, naquele sentido que o Visconti dizia que todo o seu cinema era sobre ele, sua família, os Viscontis de ontem, de hoje e de sempre.