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Luiz Carlos Merten

10 Março 2008 | 13h56

Moacir acaba de descobrir ‘Os Ambiciosos’, que Buñuel realizou em 1959. O filme com Maria Félix e Gérard Philippe foi o último de três que ele fez para produtores franceses no México e, por isto, todos têm título original em francês – ‘Cela s’Appelle l’Aurore’, com George Marchal e Lucia Bosè; ‘La Mort en Ce Jardin’, com George Marchal e Simone Signoret; e ‘La Fièvre Monte a El Pao’, que não é outro senão ‘Os Ambiciosos’ (cujo título em espanhol é ‘Los Ambiciosos’). Mais tarde, Buñuel voltou a filmar basicamente para produtores franceses, ou para o produtor Serge Silberman, com quem fez aqueles que, para mim, são seus maiores filmes, ou pelo menos os que prefiro – a começar por ‘O Discreto Charme da Burguesia’, que ganhou o Oscar de 1972. A fase mexicana de Buñuel começa com ‘Gran Casino’, em 1947, onze anos após ‘Madrid 36’, uma obra de propaganda pró-republicana (na Guerra Civil espanhola) que não conhecia e vi no Festival de Berlim, que este ano dedicou sua retrospectiva ao grande diretor. ‘Madrid 36’ passou formando um programa duplo com ‘Las Hurdes, ou Tierra sin Pán’, documentário célebre sobre a região, na época, 1932, mais pobre da Espanha. A fase mexicana durou até o começo dos anos 60 e inclui alguns dos maiores filmes de Buñuel – ‘Los Olvidados’, ‘Subida al Cielo’, ‘El’, ‘Ensayo de Un Crímen’, ‘Nazarín’ e ‘El Anjo Exterminador’. Oscar Dancigers foi seu primeiro produtor mexicano, mas depois ele se ligou a Gustavo Alatriste, antes de chegar a Serge Silberman. Para ‘Os Ambiciosos’, Dancigers ligou-se ao produtor francês Raymond Borderie, cujo filho, Bernard, só para constar, foi um prolífico diretor de filmes de aventuras (‘O Corcunda’/Le Bossu, com Jean Marais; ‘Os Três Mosqueteiros’, com Gérard Barray como D’Artagnan e Mylène Démongeot como Milady; a série ‘Angélica’, com Michèle Mercier). Saio do parêntese, mas acho curioso destacar que Bernard Borderie colocou primeiro Eddie Constantine na pele do agente Lémmy Caution, bem antes que Jean-Luc Godard fizesse ‘Alphaville’. Imagino, agora já estou delirando, que Raymond Borderie tenha investido em Buñuel, que já era um diretor cultuado, o dinheiro que ganhava com o filho, cuja pretensão nunca foi ir além da bilheteria – mas eu adorava Angélique, a sensualidade de Michèle Mércier e a música de Michel Magne. Outro dia, vacilei – encontrei o DVD do primeiro filme, o melhor, e não comprei. Quando voltei à loja, no Centro, não encontrei mais. Até onde sei, ‘Os Ambiciosos’ não saiu em DVD no Brasil, mas foi lançado na França, na Espanha e nos EUA, para o caso de o Moacir (ou qualquer outro leitor) querer importar. Sobre o filme, propriamente dito, leia o próximo post.