As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Orgulho!

Luiz Carlos Merten

23 Março 2015 | 09h03

Havia perdido em Cannes o Pride, de Matthew Warchus. O filme passou na Quinzena (dos Realizadores) e ganhou a Palm queer, a Palma de Ouro gay. Recuperei-o no avião, não na ida, como escrevi no post anterior, mas na volta de Nova York. Amei, mas imagino que Pride talvez tenha sido ‘adaptado’ para servir de entretenimento de bordo (nos aviões da American). O filme foi indicado para o Globo de Ouro – de melhor musical ou comédia – e, na época, Hollywood Repórter ‘denunciou’ a censura no lançamento em DVD, nos EUA. Todas as referências à (homos)sexualidade foram retiradas da capa do disco e no material promocional. Embora inédito nos cinemas brasileiros – até onde sei, não tem data de lançamento, mas bem poderia ser uma atração no próximo Mix Brasil -, o filme tem sido utilizado como material de mobilização e debate por estudantes da USP. Pride/Orgulho baseia-se numa história real. Em 1984, houve, na Inglaterra, uma quebra de braço entre a premier Margaret Thatcher e os mineradores. Culminou com a privatização das minas e demissões em massa, no estilo durão que fez da Dama de Ferro a Pinochet da economia neoliberal (e da globalização). O filme conta como um grupo gay resolveu se mobilizar para ajudar os mineiros. Lutando pelos outros, eles afirmavam a própria identidade. Nada foi fácil no processo. Muitos gays tiveram de sair do armário, para escândalo das famílias, e os próprios mineiros (muitos) tiveram de vencer o preconceito para aceitar sua vinculação com o movimento GLBT. O final é emocionante, quando os mineiros… Tentem ver, pressionem para que Pride seja lançado no Brasil. Bill Nighy e Imelda Staunton estão no elenco, com  Dominic West, Paddy Considine, Andrew Scott etc. Pride é o que se pode definir de feel good movie. Depois de ver, é difícil não acreditar que um outro mundo seja possível, daí o caráter de mobilização do filme em diferentes movimentos políticos e sociais. Warchus havia feito apenas um filme antes – Simpático, em 1999, com Nick Nolte, Jeff Bridges e Sharon Stone, sobre um homem que constrói um império de cavalos de puro-sangue e agora vê tudo ameaçado pelo antigo parceiro, que ressurge em sua vida prometendo denunciar uma fraude. Confesso que não tenho muita lembrança de Simpático – é o nome de um cavalo -, mas o filme dispõe de boa reputação. E Pride é ótimo. Fui pesquisar e descobri que pode até virar musical. Na nossa época, o que não termina em pizza, acaba em cantoria.