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Luiz Carlos Merten

11 Setembro 2008 | 22h22

Êta diazinho danado. Tive um exame médico pela manhã e ele demorou muito mais do que imaginava. A partir daí, tudo embolou. Tinha a capa do ‘Ensaio sobre a Cegueira’ para fazer, mais críticas e entrevistas – sobre ‘Iluminados’, ‘Perigo em Bangcoc’ e ‘Mamma Mia’ -, mais entrevista com Hugo Carvana no meio da tarde (sobre ‘A Casa da Mãe Joana’, que estréia dia 19), outra capa do Telejornal (sobre Cláudia Abreu, que estrela a nova novela das 7, ‘Três Irmãs’, que estréia na segunda, 15), os filmes na TV de domingo. Mal tive tempo de validar os comentários de vocês sobre os posts recentes. Os de maior retorno são os que tratam do Oscar e dos filmes brasileiros mais qualificados para pleitear a indicação do Brasil na vaga para o prêmio da Academia de Hollywood. Vamos ter uma enquete no portal do ‘Estado’, preparem-se para participar. Preciso responder ao Marcos, que foi aos anais do blog em busca de evidências incriminadoras em meu passado. E não é que o Marcos desencavou um comentário em que eu elogiava o Daniel Day-Lewis de ‘Sangue Negro’, e não ‘Ouro Negro’, como insisto em chamar o filme de Paul Thomas Anderson? Não vou nem me defender, mas estava tentando (me) entender. Teria de pesquisar, mas tenho quase certeza de que assisti ao filme no exterior, durante alguma junkett. E foi com Elaine Guerini, posso jurar. Posso até ter-me impressionado, mas depois fui pegando um bode danado do filme – como peguei de ‘Onde os Fracos não Têm Vez’, que me pareceu um irmãos Coen OK, quando o vi em Cannes (meio sub-‘Fargo’, é verdade), mas depois o ôba-ôba em torno desses filmes começou a me irritar. Enfim, meu passado me condena, e isso não tem nada a ver com o filme (forte) de Basil Dearden com Dirk Bogarde. Aliás, ‘Victim’, Meu Passado Me Condena, é a prova de que um filme importante não precisa ser sacramentado pelo Oscar. Dirk Bogarde, mil vezes melhor do que Day-Lewis, não ganhou nenhum Oscar – e o outro ganhou dois… Nos anos 60, o drama sobre um advogado que é chanteageado por seu homossexualismo – que ele tenta manter no armário – provocou um debate tão intenso na Inglaterra que levou à revogação de leis que datavam do tempo da Rainha Vitória. Quem ainda se lembra de ‘Victim’? Enquanto isso, os Coen e o PTA são incensados como gênios da criação. Ora façam-me o favor….