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Onde foi parar Terrence Howard?

Luiz Carlos Merten

02 Maio 2010 | 11h53

RECIFE – Ontem não tive tempo de voltar a postar e terminei não falando nada sobre ‘Homem de Ferro 2’. Não sou o maior fã do primeiro filme, embora reconheça seus méritos e o maior deles foi a adequação de Robert Downey Jr. ao papel, que terminou por revitalizar sua carreira de ator. Confesso que empaquei no segundo. Tony Stark/Homem de Ferro é o herói mais anti-herói dos quadrinhos, ou do cinema. Quando o filme começa, o cara está morrendo – vejam o filme para saber por quê – e, em vez de transformá-lo num personagem trágico, como fazem Sam Raimi com Homem-Aranha e Christopher Nolan com Superman, Jon Favreau faz de Homem de Ferro um narcisista desajustado e irritante, por meio do qual tenta refletir sobre a falta de rumos de um mundo – ou uma sociedade – em crise. Quando os heróis se comportam daquele jeito, o mundo está mesmo perdido. A primeira parte do filme me irritou muito e eu contava os minutos à espera da virada, que logicamente teria de vir e aqui vem numa cena muito bonita, quando Stark reencontra o pai (enquanto imagem) e descobre, finalmente, e não tardiamente, que não foi um garoto rejeitado. (É incrível como a psicanálise de ‘Cidadão Kane’, de quase 70 anos, continua a ser a Bíblia de Hollywood.) Vocês me conhecem e sabem quanto sou sensível ao tema da paternidade. Mais um, pouco e eu teria chorado. O filme, a partir dali, começa a fazer sentido e fica palatável, sendo até mesmo autocrítico em relação à primeira parte, na cena em que Samuel L. Jackson comenta a avaliação do herói pela agente russa (Scarlett Johansson) e ela destaca justamente todos os aspectos negativos que ele vinha apresentando, inclusive o tal, e insuportável, narcisismo. Imagino que, do ponto de vista ‘autoral’, isso possa ser considerado interessante, mas a essa altura, eu me havia aborrecido mais do que criado expectativa e, depois, Favreau não é exatamente um ‘autor’, embora a visão desse filme feche perfeitamente com a de ‘Zathura’, que ele fez antes, para o caso de alguém querer comparar. Entrevistei o diretor, justamente por ‘Zathura’, e o achei bem inteligente. Essa inteligência se manifesta aqui em vários momentos e até na maneira (auto)irônica com que ele trata seu personagem (Hogan). A cena em que o cara tem de suar para derrotar um segurança no QG do vilão, quando Natalie/Scarlett já abateu dezenas, é hilária. Para mim, admito que ‘Homem de Ferro 2’ teve um problema suplementar, ou melhor, problemas suplementares. Não curto Mickey Rourke e tenho certa repulsa por pessoas que ficam falando com palito entre os dentes, recurso que o ator usa para criar seu personagem, fisicamente degradado como o lutador do filme de Darren Arofovsky que o candidatou para o Oscar. Aquilo aumentava a irritação que eu já sentia pelo comportamento do herói. A outra coisa é a seguinte – sou o maior fãzaço do Terrence Howard e, mesmo gostando de Don Cheaddle,  não creio que o filme ganhe com sua substituição, no papel de Rhodey. Nunca tinha lido nada sobre ‘Homem de Ferro 2’. Achei que ia reencontrar Terrence Howard, topei com Don Cheaddle. Vocês sabem por que ele saiu da série? Cá pra nós, achei que Howard roubava muitas cenas de Downey Jr. por melhor que ele seja, no primeiro filme da franquia. E o cara deveria ter ganhado o Oscar no ano de ‘Hustle & Flow’, que eu nem lembro como se chamou no Brasil, por isso não vou arriscar. Não curti muito o ‘Homem de Ferro 2’, não, mas aqui no Recife o filme estourou. Na sexta, queria ver numa sessão e tive de fazer hora, esperando para ver em outra, porque a anterior estava lotada. Do Shopping Tacaruna, corri para o Cine-Teatro Guararapes, no Centro de Convenções de Olinda – ainda bem que é perto, senão eu teria perdido o início da programação da noite do Cine PE. E vocês, já viram ‘Iron Man 2’?