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Onde foi parar ‘O Profeta’?

Luiz Carlos Merten

29 Dezembro 2010 | 14h43

Voltei ontem, embora, teoricamente, ainda estivesse na minha folga de Natal. E não parei mais de trabalhar, o que é sempre ótimo. Entrevistei pelo telefone Julie Bertucelli, Ferzan Ozpetek, Maria Paula, Ingrid Guimarães, Roberto Santucci etc. Julie é ótima. Já a havia entrevistado, também por telefone, na estreia de ‘Quando Otar Partiu’. Falamos agora sobre ‘A Árvore’, com Charlotte Gainsbourg, que estreia em 14 de janeiro, daqui a duas semanas. O filme baseia-se num romance australiano, sobre essa mãe cuja filha acredita que o pai morto reencarnou na árvore do título. Julie me contou como o processo de criação foi difícil, porque seu marido morreu – de câncer – quando ela ainda trabalhava no roteiro. Ela é filha de um diretor importante, Jean-Louis Bertucelli, autor de um filme cult, ‘Remparts d’Argile’, sobre habitantes de um lugarejo na Argélia que trabalham quebrando pedras. Até onde me lembro, o filme é muito bom, muito forte, áspero como a própria paisagem em que se desenrola. Sempre converso com Julie sobre seu pai e os grandes diretores de quem foi assistente – Kieslowski, na trilogia das cores, Otar Iosseliani. Com um e outro, ela aprendeu a não trapacear. A busca pela árvore consumiu mais de um ano, porque tinha de ser uma árvore especial -uma verdadeira personagem -, não um efeito cenográfico. Acho, sinceramente, que esses momentos de troca, quando encontro pessoas deveras interessantes, os mais apaixonantes da minha profissão. Não consigo aceitar que colegas se privem disso em nome da isenção crítica, mas, enfim, cada cabeça é uma sentença. Acrescento que redigi hoje minha lista de melhores do ano para a capa de amanhã do ‘Caderno 2’. Sorry, mas não vou furar o jornal. Vocês vão ter de esperar para que eu a copie, ou formule outra, aqui no blog. O básico é aquilo que vocês já sabem – ‘A Rede Social’, ‘A Origem’, ‘Toy Story 3’, ‘Vincere’, ‘Tetro’, ‘Tropa de Elite 2’. Quando Alessandro Giannini me pediu uma lista de dez para a internet, ‘O Profeta’, de Jacques Audiard, me veio naturalmente. Hoje, comecei a redigir cruzando ‘Tetro’ e ‘Vincere’, ou a dificuldade de se viver à sombra (do gênio, do tirano). De repente, o próprio texto foi me conduzindo e ‘O Profeta’ sumiu da minha lista, o que não significa que tenha deixado de gostar do filme de Audiard, mas dentro do raciopcínio que vinha desenvolvendo entrou muito melhor ‘Um Homem Que Grita’, do chadiano Mahamat Saleh Haroun. Estou pensando, para o blog, em fazer uma lista mais abrangente, com melhor ator e atriz, essas coisas. Pelo menos a gente se diverte e fica lembrando grandes momentos do cinema em 2010.