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Onde foi parar Casey Affleck?

Luiz Carlos Merten

30 Dezembro 2007 | 11h22

Melchiades me cobra a ausência de ‘Mutum’, de Sandra Kogut, na lista de melhores do ano que saiu sexta-feira, no ‘Caderno 2’. Foi esquecimento ou não gostei tanto do filme, pergunta o Melchíades? Não, não foi esquecimento, e embora eu goste bastante do filme – e o tenha defendido – não gostei tanto assim a ponto de colocar entre os três ou quatro melhores nacionais do ano (o que, no limite, foi o que restou na lista geral. Se fossem dez nacionais e dez estrangeiros, ‘Mutum’ com certeza estaria na lista.) Mas quero voltar à relação de dez, que me surpreendeu. Sim, a mim mesmo. Achei que ia colocar ‘Jogo de Cena’ e ‘Ratatouille’ na cabeça e, no final, foram ‘Ratatouille’ e ‘Santiago’, que se impôs – o segundo – pela complexidade e riqueza (e pela leitura proustiana que me permitiu unir os dois). Mas eu confesso que houve o que me parecia um esquecimento grave e, na verdade, foram dois. A lista já estava pronta, o jornal já estava sendo impresso quando fui redigir os filmes na TV de sábado e entre eles estava o simpático ‘Procura-se Amy’, de Kevin Smith. Estava listando os atores – Ben Affleck, Joey Lauren Adams, Jason Lee – quando me lembrei da participação do Matt Damon e do Casey Affleck. Êpa! Casey Affleck, o irmão mais talentoso do Ben? Como pude esquecer de ‘O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford’, onde Casey e Brad Pittr, encarnando o mito, estão ambos geniais? Como conseqüência, me veio que, no Festival do Rio, eu havia surtado vendo ‘O Assassinato’ e ‘As Sombras de Goya’. Fui rever ‘Goya’ ontem e é óbvio que o filme do Milos Forman me é mais querido do que o díptico de Clint Eastwood, que eu vou ter de ‘cassar’ na lista que vou fazer amanhã aqui no blog para acomodar ‘Goya’ e ‘Jesse James’. Meu editor, Dib Carneiro Neto, chegou a comentar, quando viu que havia colocado ‘Santiago’ na cabeça, que era uma mudança em relação ao que eu próprio havia defendido na premiação da APCA, Associação Paulista dos Críticos de Arte (e que era dar o prêmio para o Coutinho). Na verdade, não estou mudando. Estou acrescentando e colocando em perspectiva. No caso de ‘Assassinato’, admito, foi esquecimento. Devia ter pesquisado. Pode ser um ponto para quem não leva listas a sério. Algumas coisas, de qualquer maneira, não mudam – ‘Ratatouille’, ‘Jogo de Cena’, ‘Santiago’. ‘Em Busca da Vida’ (do Jia Zhang-ke), ‘Medos Privados em Lugares Públicos’ (do Resnais), ‘A Vida dos Outros’, ‘Pecados Íntimos’. O melhor de 2007 passa por aqui, com certeza. E vocês – querem fazer suas listas? Conjuntas ou separando os melhores nacionais dos melhores estrangeiros? Fiquem à vontade…

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