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Luiz Carlos Merten

07 Junho 2009 | 13h23

Olá! Praticamente dois dias sem dar notícias… Vocês já deviam estar pensando que havia morrido. Na verdade, meus dois últimos dias foram bastante corridos. Na sexta, tinha um monte de entrevistas para fazer – com a equipe de ‘Apenas o Fim’, o longa de Matheus Souza com a garotada da PUC, do Rio –, emendei com a ida ao cinema para ver ‘Duplicidade’ e terminei a noite revendo ‘Caramelo’, porque precisava lavar a alma depois do filme de Tony Gilroy. Posso gostar de Clive Owen e Julia Roberts, mas não tenho jeito de engolir o cinema desse tal de Gilroy. Já havia achado meia-boca o ‘Conduta de Risco’ e olhem que o cara co-escreveu o Jason Bourne (acho que a trilogia inteira), mas este me interessou ainda menos. Clive e Julia são ex-espiões, ela ficou obcecada por dinheiro, planejam um golpe e existem cenas em que parecem vendedores ou representantes comerciais discutindo transações. Pode ser interessante como constatação de que o mundo mudou, as ideologias estão extintas etc e tal, mas esse tipo de cinismo (realismo?) não me cai bem, sorry. Na contrapartida, o romance da atriz e diretora Nadine Labaki com o policial Yussuf me pareceu ainda mais cativante. Acho que ‘Caramelo’ poderia durar o dobro e eu ia adorar ficar vendo aquelas mulheres, tão lindas, tudo tão delicado…
Ontem, fui ao Rio visitar o set de ‘High School Musical’ e, na volta, emendei com a festa de aniversário de uma amiga, Fátima Cardeal, no Urano. Reencontrei amigos, dancei, mas até agora não sei se o prometido show de Rita Cadillac ocorreu de verdade ou ficou só nisso mesmo, uma promessa. Saí antes e olhem que já era de madrugada. De volta ao Rio, a Total está fazendo a versão brasileira da franquia da Disney, que o diretor César Rodrigues está conseguindo adaptar para o Brasil. Antes do ‘High School’ dele, surgiram versões na Argentina e no México, mas eram cópias caricaturais, tipo ‘Sete – O Musical’, cujo propósito eu entendi, viu Noêmia (leiam comentário no post ‘Ladrilhando a Broadway), mas não achei inteligente (nem minimamente interessante). César e a Total conseguiram da Disney o aval para fazer as mudanças que queriam. Ou seja, não vão ficar macaqueando o ‘High School’. Confesso que não sou especialista no assunto. Nem vi o 3, o mais bem produzido, mas do qual o próprio César não gosta, porque acha que se perdeu o frescor do primeiro. O filme da Total tem a escola, o par protagonista, o par antagonista e o concurso ou gincana – agora uma representação teatral, de ‘Romeu e Julieta’–, mas tem também Oldum, coreografia na praia e no campo de futebol. Vi a filmagem da representação da cena do balcão, quando Olavo e Renata, os protagonistas, descobrem o próprio amor por meio de Romeu e sua Julieta. Achei a cena linda e fiquei horas ouvindo a canção – deu para aprender a letra – e também vendo o diretor ajustar detalhes que parecem insignificantes (um gesto, um olhar, o movimento da câmera sincronizado com determinada frase da música etc).
Vou abrir outro parágrafo, o que é raro, hein? A franquia ‘High School’ é poderosa junto ao público (pré)teen, uma faixa acho que próxima à de ‘Hanna Montana’, que estreia nesta semana. ‘High School 4’ – não vai se chamar assim – é só para janeiro ou fevereiro de 2010 e eu não tenho por que deixar de torcer pelo sucesso. Adoro visitar sets, mas pelo que me contaram teria sido melhor não a cena íntima de ontem, por mais que tenha gostado da dupla – escolhida num reality show que foi ao ar pelo SBT e pelo Disney Channel –, mas a coreografia da praia ou a do futebol, que envolviam muito mais gente. Cem pessoas num set, dançando ao som do Olodum, que tal? Pena que não estivesse no Brasil. Walkiria Barbosa não estava no set, porque resolvia problemas de outra locação – a filmagem estava sendo no Sesc da Barra –, mas lá estavam Wilma Lustosa e Iafa Britz. A Iafa me confirmou que segue esta semana para Los Angeles para bater o martelo. Hollywood vai mesmo fazer ‘Se Eu Fosse Você’. É mole? A parceria funciona em mão dupla. A Total refaz aqui ‘High School’ para a garotada brasileira e os gringos refazem lá o hit de Daniel Filho. Aliás, ‘Se Eu Fosse Você 2’ já ultrapassou 6,1 milhões de espectadores, o que significa que já abriu quase 1 milhão de vantagem sobre ‘2 Filhos de Francisco’, que era a maior bilheteria do cinema brasileiro da Retomada (e vocês sabem que gosto muito do filme de Breno Silveira). Outra produção da Total, ‘Divã’, já fez 1,6 milhão (quase 1,7) e isso significa que só a empresa, batendo nos 8 milhões de espectadores em 2009 – estamos na metade do ano – já possui sozinha 10% do share da bilheteria nacional. Sei que bilheteria não é sinônimo de qualidade e muito provavelmente ‘A Festa da Menina Morta’, de Matheus Nachtergaele, que prefiro, não vai fazer 10% desse total (mas gostaria que fizesse; o filme estréia quinta, ou sexta). Só que não menosprezo o sucesso – seria louco – e creio que ‘Se Eu Fosse Você’ 1 e 2 e ‘Divã’ não chegaram a esses números por acaso. Os filmes possuem qualidades, são bem feitos (e bem produzidos) e ambos possuem elencos maravilhosos. Hollywood vai ter de rebolar para encontrar uma dupla à altura de Tony Ramos e Glória Pires e a Lília Cabral que me perdoe – ela sabe que é ótima –, mas boa parte do meu encanto pelo ‘Divã’ vem da personagem de Alexandra Richter. Quando ela diz à amiga que nunca quis ser outra coisa senão mulher do marido dela, dona de casa, achei aquilo tão sincero – e o cinema não valoriza esse tipo de honestidade ‘pequeno-burguesa’ –, que pensei comigo. ‘Divã’, de José Alvarenga Jr., chega lá onde filmes mais ambiciosos, do ponto de vista autoral, não conseguiram. 8 milhões de espectadores em meio ano! Sorry, mas vocês não vão conseguir me convencer de que são 8 milhões de burros. Se são, faço parte do (imenso) grupo, pois já (re)vi ‘Se Eu Fosse Você 2’ e ‘O Divã’ pagando ingresso. Sou parte integrante desse sucesso.

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