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Luiz Carlos Merten

01 Outubro 2007 | 15h28

RIO – Ando numa roda viva, e tamanha que ontem não consegui tempo para postar nada. De manhã estive na sucursal do Estado psara produzir o material que vocês talvez tenham lido hoje no Caderno 2. Nem tive tempo de almoçar e assisti a Ricta Cadillac – A Lady do Povo, para fazer a mediação do debate soibre o documentário de Toni Venturi. Não quero furar o que vocês vão ler na edição de amanhã do jornal, mas foi muito interessante conversar com Rita Cadillac. A emoção dela na sessão realizada no Cine Odeon BR me inspirou a escrever o texto de amanhã, porque à noite, no mesmo Odeon BR, Paloma Rocha subiu ao palco visivelmente emocionada para apresentar a versão restaurada de A Idade da Terra. O Odeon, disse Ilda Santiago, diretora de programação do Festival do Rio, é a casa do cinema brasileiro, portanto, a casa de Glauber Rocha.Revi o filme e confesso que continua a ser o Glauber de que menos gosto. Entendo a ousadia de fazer um filme descontínuo, estruturado em blocos que o Glauber nem queria numerar, porque o ideal dele é que o espectador juntasse as partes do jeito que quisesse. Glauber inventou a interatividade no cinema, há 27 anos? Pode ser, mas o que produz êxtase em outras pessoas, no caso de A Idade da Terra me traz aborrecimento. A duração das cenas, a impostação dos atores, a gritaria – sinto muito, mas não consigo entrar no clima. Saúdo quem consegue, mas esse Glauber não é minha praia. Em compensação, achei muito lergal a coragem de Rita Cadillac de se expor daquela maneira. O filme de Toni Venturi mostra que existem duas Ritas – a de Cássia, que começa o filme preparando o almoço e o encerra casando-se, e a Cadillac, assim batizada por causa do carro famoso dos anos 60, aquele que tinha um rabo enorme (como ela…) Rita abre tudo – a prostituição, o cinema pornô. Mas o que a gente retém desse filme é o que diz Djalma Limongi Batista e Drauzio Varella confirmou, quando o entrevistei para o livro Cinco Mais Cinco, falando sobre Carandiru. Essa mulher é uma lady. Tudo o que ela fez foi por necessidade. Pode ser que ela não se orgulhe de muitas dessas escolhas, mas o importante é que não se envergonha delas nem se sente diminuída. Rita Cadillac será uma heroína brasileira? Não sei, sinceramente, e é provável que não. Mas que essa mulher é uma guerreira, e uma romântica, lá isso é.

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