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Onde anda? Quem será nosso Francesco Rosi?

Luiz Carlos Merten

14 Julho 2017 | 09h49

Face ao horror dos últimos dias, tem sido bem curioso acompanhar a imprensa e seguir manchetes. O Agora foi bem interessante – nove anos! E tascou a foto de Lula na capa, com as duas mãos abertas e os nove dedos. Ah, foi isso, então? E hoje a Globo – a Globo!, tantas vezes, desde os tempos da ditadura, acusada de golpismo – deve ter achado meio demais e resolveu livrar a cara no Jornal da manhã. Você com certeza ouviu falar das concessões, o pacote de bondades, do presidente para conseguir os votos necessários. A Globo foi atrás dos deputados – o senhor ganhou tanto, o senhor mais tanto. A repórter não perguntava – afirmava. As respostas eram de um cinismo exemplar, mas, no Brasil atual, para encerrar uma era, a ética é a última preocupação do mundo. Está mais ou menos no mesmo lugar que o patriotismo, como dizia o dr. Samuel Johnson – é o último refúgio dos canalhas. Que filme tudo isso daria! Pergunto de novo – quem seriam/serão os nossos Francesco Rosi, Elio Petri, Damiano Damiani? E por que nenhuma rede apresenta a série italiana sobre a Operação Mãos Limpas, já que foi o modelo assumido da Lava-Jato? Nas críticas, li que a legitimidade do processo é questionada. Será por isso?