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Luiz Carlos Merten

17 Maio 2011 | 16h47

CANNES – Vou ver agora `Tatsumi`, o novo Eric Khoo. Gostei tanto de `O Magico`, anos atras. Espero que ele me produza o mesmo maravilhamento. Acabo de assistir a `O Abismo Prateado`, de Karim Ainouz, na Quinzena dos Realizadores. O filme nasceu de uma proposta que o produtor Rodrigo Teixeira fez ao diretor, se ele naoh gostaria de fazer um filme inspirado nas letras de Chico Buarque. Poderia ser `Olhos nos Olhos`, Karim perguntou? Alessandra Negrini, a personagem chama-se Violeta, recebe o fora do marido, que a abandona por meio de uma mensagem deixada no celular. O filme acompanha a perda de eixo dessa mulher. Na cancaoh, a mulher diz que gostaria de reencontrar o ex, para que ele veja como estah taoh feliz, mas naoh eh verdade. A dor de cotovelo permanece. `O Abismo Prateado` segue outro caminho e, quando entra a musica, parece que eh para cumprir um contrato, como se o proprio diretor estivesse tentando se achar. Mas, enfim, Karim filma bem, a Negrini eh maravilhosa. Ela cai da bicicleta, se machuca. Me pareceu meio obvio como metafora da queda (moral?). Achei mais interessante, mesmo naoh gostando muito, o filme de Marco Dutra e Juliana Rocha, `Trabalhar Cansa`, que comeca bem, termina bem, mas se perde lah pelo meio. Hah uma deterioracaoh da relacao familiar – o marido perde o emprego, a mulher monta um negocio, que administra com maoh dura. O predio do mercadinho parece que vai se desmontar. A parede eh podre, o esgoto transborda etc. Vou rever esses filmes no Brasil. Mais do que dar outra oportunidade a ambos, vou me dar nova oportunidade para gostar. Nossos brasileiros naoh fizeram uma grande figura na Croisette – acho -, mas, se serve de consolo, as duas sessoes oficiais – a de `Trabalhar Cansa` em Un Certain Regard – foram muito aplaudidas.