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Luiz Carlos Merten

30 Outubro 2007 | 12h58

Conversei agora de manhã pelo telefone com Tobias Menzies, que faz Brutus na minissérie ‘Roma’. Daqui a pouco converso com Lyndsey Marshall, a Cleópatra. A entrevista com ele foi bem divertida. Menzies estava em plena gravação da minissérie, na Itália, quando trocou a toga romana por um figurino mais moderno para fazer Villers em ‘Cassino Royale’, o primeiro 007 com Daniel Craig na pele do herói. Essas entrevistas quebram um pouco o que tem sido a minha rotina dos últimos dias – ver filmes da Mostra e entrevistar seus convidados. Por mais que possa criticar certos aspectos da Mostra, tenho de agradecer a Leon Cakoff por me permitir o contato, mesmo breve, com figuras a quem admiro. Minha entrevista com Hirokazu Kore-eda não rendeu tanto quanto gostaria. Foi difícil, senão impossível, entrar em sintonia com o pensamento abstrato que ele tem, ou revela, com a mediação de intérprete. Espero que a coisa funcione melhor daqui a pouco com outro oriental, Jia Zhang-ke, o autor de ‘Pickpocket’, ‘Plataforma’, ‘The World’ e ‘Still Life’, que está em São Paulo para prestigiar a retrospectiva em sua homenagem. De todas as entrevistas que fiz até agora na 31ª Mostra, a de que mais gostei foi ontem à tarde, com Nicolas Klotz e sua mulher (e roteirista) Elizabeth Perceval, de ‘A Questão Humana’. Papo político de alto nível, recheado de citações a Derrida e Pasolini. Aliás, amanhã ocorre a reunião da crítica para escolher o melhor filme da 31ª Mostra. Embora estejamos ’em crise’, como diz Leon Cakoff, a Mostra vai manter a tradição de apontar o preferido dos críticos credenciados para cobrir o evento. Estou dividido entre dois candidatos. Um é ‘Cochochi’ e outro é justamente ‘A Questão Humana’. Aceito negociar.