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Cultura » Olhar estrangeiro sobre “Tropa 2”

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Luiz Carlos Merten

12 Fevereiro 2011 | 15h17

BERLIM – Entrevistei José Padilha, Wagner Moura e Maria Ribeiro que estao aqui em Berlim acompanhando as exibicoes de Tropa de Elite 2 no Panorama Especial. Padilha fezx umza conexao maluca – Sundance-Rio-Suíca-Berlim – e pegou umsa gripe do cao. Mesmop sassim nao para de dar entrevistas. O interesse por Tropa 2 é grande na Berlinale. O filme foi bem aplaudido na sessao oficial. Padilha brinca – “Em Sundance, fomos aplaudidos de pé, mas desconfio de que eram brasileiros.” Em Tiradentes, festival que amo, passei por uma experiencia curiosa. Gosto muito da Mostra Aurora, mas existe um disdcurso meio infantil, e de parte de críticos veteranos, que discriminam os blockbusters brasileiros, em oposicao ao chamado cinema de invencao. Nao existe, no Brasil, blockbuster maior do que “Tropa 2”. Padilha alfineta – diz que essas cabecas pensantes nao sao muito democráticas, porque seu discurso deixa subentendido que, se é sucesso de público, o filme nao pode ser bom. Tenho ouvido aqui muita gente, de diversas latitudes. Há uma rara unanimidade de que “Tropa 2” é melhor, porque mais complexo e abrangente, do que o 1. Padilha, Wagner e Maria me disseram todos a mesma coisa – o olhar estrangeiro tem eneriquecido muito o filme para eles. O público brasileiro veh “Tropa 2” de um jeito, tudo bem. Os estrangeiros, que nao tem o mesmo referencial do Brasil, privilegiam o drama – a tragédia – e se guiam no filme pela forca da narrativa, ou das imagens. A pergunta que nao queria calar – os gringos já descobriram o Wagner? Já pintaram convites para alguma coisa? Wagner jura, e ele nao é homem de mentir, que está aberto a proposicoes, mas nem de longe cogitaria de se mudar para os EUA. Ele tem um agente em Los Angeles. Pintaram convites, sim, mas para coisas que ele nao está intereressado em fazer e para o que ele gostaria o cinema norte-americano já tem Javier Bardem. Wagner volta segunda para o Brasil – Padilha vai para Los Angeles -, mas amanha, encerrada a bateria de entrevistas, ele espera ter tempo de ver “Pina”, de Wim Wenders, em 3-D. Qual o seu interesse no filme? Simples – “Sao dois grandes artistas, Wim Wenders e Pina Bausch.” As aspas sao de Wagner e, por mais que considere o Wenders da última fase irregular, só posso concordar.