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Luiz Carlos Merten

13 Março 2011 | 11h10

Meu bom amigo Celdani preocupa-se com minha saúde. Pois é. Não tenho postado muito ultimaqmente, e um pouco porque não tenho asndado bem. Gripe, febre, dor de garganta. Me saiu um prtoblema, uma pinta na mão – a única! – que começou a me doer. Fiz biópsia, não há de ser nada, mas a dor incomoda. Enfim, já queixei-me. Meu amigo Fernando Severo deve andar p… comigo. Ele acrescentou aquele comentário num post sobre os melhores westerns, lamentando a ausência de Leone e dizendo que não conseguia imaginar uma lista de melhores bangue-bangues sem o grande Sergio. Ia polemizar com ele, mas aí fui deixando. Deveria trer faladeo com o Severo porque ele co-dirige ‘Corpos Celestes’ com Marcos Jorge, e o filme estreou na sexta. No final, nessa correria toda, falei sopmente com o Marcos, que veio a São Paulo. Deveria ter falado com o Severo por telefone, em Curitiba, mas a matéria era pequena e eu fiquei só com o Marcos Jorge, com as referências que faz ao aporte do amigo. Sorry, Severo. Espero que o próximo longa venha logo, para que eu tenha tempo de me redimir. Mas quando disse que queria polemizar era pelo seguinte. Eu gosto dos westerns do Leone e fui seu defensor desde a primeira hora, quando nem o spaghetti western nem ele haviam adquirido reconhecimento e o gênero era maltratado pelos críticos sérios que, nos anos 1960, estavam mais interessados em Bergman e Godard, que representavam o cinema de ‘invenção’, enquanto Leone era ‘popular’, comercial. Tantas vezes ouvi essas bestreiras, continuo ouvindo, até hoje. Mas eu entendo que, para os norte-americanos, seja complicado aceitar os westerns operísticos de Leone – não só pelo estilo, mas também pela desmontagem dos mitos a que ele procede em seus filmes. E, para dizer a verdade, mesmos gostando de ‘Por Um Punhado de Dólares’, de ‘Três Homens em Conflito’ e de ‘Era Uma Vez no Oeste’, não consigo colocar esses filmes, no meu imaginário,  no mesmo plano do melhor Ford, do melhor Hawks, do melhor Walsh. Estou falando dos pioneiros, dos maiores, mas o que impressionou (chocou?) na lista dos maiores westerns foi a ausência de autores essenciais. Tinha Anthony Mann? Não lembro, mas ‘O Preço de Um Homem’, ‘Winchester 73’ e ‘Um Certo Capitão Lockhart’, todos da parceria Mann/James Stewart, são, como, disseram Jean-Pierre Coursodon e Betrand, o que de mais perfeito e puro o gênero produziu. E a parceria de Budd Boetticher e Randolph Scott,  como ignorar ‘Cavalgada Trágica’, ‘O Resgate do Pistoleiro’, ‘Entardecer Sangrento’? Em princípio, ou por princípio, acho que essas escolhas não são para levar a sério, mas confiro todas as listas porque elas sempre terminam por evocar obras que me marcaram, mesmo que, às vezes, pela ausência. Meu amigo Severo – misturei muito as coisas. Mas fica o pedido público de desculpas pela não entrevista. Acrescento o que me disse o Marcos Jorge. Ele tinha duas histórias, não se decidia nenhuma. Foste tu o autor da ideia de misturar as duas num só filme. ‘Corpos Celestes’ é um filme estranho, parece desequilibrado, mas tem suas qualidades (e de agradar particularmente aos fãs de melodramas).  Corpos Celestes, estrelas. ‘Homem sem Rumo’, Man Without a Star, de King Vidor, com Kirk Douglas, é um dos meus westerns favoritros. Adoro o barroquismo do rei Vidor (como o de Leone ou o do magnífico Nicholas Ray de ‘Johnny Guitar’). Tendo a viajar nas impurezas, mesmo entendendo por que tantos críticos, em matéria de westerns, sejam intransigentes e prefiram a pureza de Ford, de Mann, de Boetticher.