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Luiz Carlos Merten

10 Agosto 2009 | 18h07

GRAMADO – Mário Saito comenta que sempre achou que Emma Thompson tivesse recebido seu Oscar de roteiro adaptado por ‘Retorno a Howards End’, de James Ivory. Não, Mário, foi por ‘Razão e Sensibilidade’, de Ang Lee, que ela adaptou de Jane Austen. ‘Howards End’ é uma adaptação de E.M. Forster e, como a maioria dos filmes da dupla Ivory/Merchant – Ismail Merchant era o produtor -, seu roteiro foi assinado por Ruth Prawer Jhabvalla, escritora anglo-indiana que foi a Suso Cecchi d’Amico do mais inglês dos diretores americanos. Ivory nasceu nos EUA, mas sua formação é inglesa e a passagem pela Índia apenas consolidou esse seu lado ‘british’. Por que comparei Ruth a Suso? Talvez porque Ivory também costume ser comparado – não por mim… – a Luchino Visconti. Aliás, quando entrevistei Ivory no Lido, fiz essa associação, de que Ruth, como roteirista, teria a mesma importância de Suso para Visconti, e ele não gostou nem um pouco. Nada desagradava mais a Ivory do que ser comparado a Visconti e, ainda por cima, ser considerado um Visconti menor. Enfim, já disse aqui que Ivory nunca foi um de meus favoritos, que há uma frouxidão que me incomoda na sua mise-en-scène e que seu detalhismo é mais coisa de decorador do que de ‘autor’, mas há um núcleo na obra dele que acho interessante. Os filmes ‘indianos’ nunca me falaram muito e as adaptações de Henry James, também não. Mas gosto de ‘Uma Janela para o Amor’ e dos dois filmes dele interpretados por Emma Thompson e Anthony Hopkins, ‘Howards End’ e ‘Vestígios do Dia’. O último, em especial, me parece o filme que resta de James Ivory, se eu tivesse de lembrá-lo por um título, apenas. Agora, como Visconti, tenho de reconhecer que ele foi, é, um ‘adaptador’. Quase todos os seus filmes, a maioria pelo menos, são adaptações literárias de autores importantes, que Ivory, como Visconti, usa para elaborar uma visão de mundo, a sua.