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Luiz Carlos Merten

29 Outubro 2008 | 16h42

Quer dizer que escandalizei o Fábio gostando de ‘Desaparecidas’? Mas é verdade, e até tentei me justificar, mas de qualquer maneira ia comentar outro post do Fábio sobre duas notícias que, segundo ele, iam me interessar (e interessaram). A primeira é que Scorsese vai mesmo refilmar ‘Céu e Inferno’. Há pelo menos dez anos que Scorsese persegue este projeto e numa época chegou-se até a cogitar que Walter Salles seria o diretor. Na época, até escrevi um texto no jornal, dizendo que seria roubada para o Walter, porque o filme – concordo com o Fábio – é um dos melhores do Kurosawa. Walter Salles fugiu do Kurosawa e caiu sobre outro japonês, o da refilmagem de ‘Dark Water’. Pensando bem, como espectador, preferiria ter visto Walter Salles errar – mesmo que fosse – com o japonês certo. Aliás, vou postar alguma coisa daqui a pouco só para poder falar outra vez sobre esses dois atores míticos do cinema japonês, Toshiro Mifune e Tatsuya Nakadai, que dividem a cena em ‘Céu e Inferno’ e em outros dois filmes míticos do Kurosawa, ‘Yojimbo’ e ‘Sanjuro’. Somados ao Chisu Ryu, dos filmes de Yasujiro Ozu, eles formam a minha santíssima trindade de grandes atores do cinema japonês e eu aproveito para dizer que no site da 2001 – Ubiratan Brasil, o Bira, me mostrou – estão à venda vários títulos de Ozu, pela distribuidora Cinemax. ‘A Rotina Tem Seu Encanto’, ‘Dia de Outono’ etc. Ozu é tudo, mas não seria a mesma coisa sem a serenidade de Chisu Ryu. A outra notícia que o Fábio disse que me interessaria refere-se à aposentadoria antevcipada de Joaquin Phoenix, que agora quer só cantar. Fábio diz que eu acho Joaquin o melhor ator do mundo. Não sei se alguma vez escrevi isso, até porque quem me fez a afirmação, especificamente, com todas as letras, foi o James Gray, mas eu acho, sim, o Joaquin Phoenix um p… ator (nos filmes de James Gray). Vou morrer – espero que ainda demore – sem entender porque Joaquin Phoenix (por ‘Johnny e June’) e Elisabeth Shue (por ‘Despedida em Las Vegas’) não ganharam o Oscar porque, pessoaslmente, acho que tanto ele como ela me parecem melhores do que Reese Whiterspoon e Nicolas Cage, que receberam seus prêmios da Academia de Hollywood por esses filmes. Mas o assunto Joaquin Phoenix me interessa por outro motivo. Dei-me conta tardiamente de que nem o Festival do Rio nem a Mostra de São Paulo trouxeram o ‘Two Lovers’ de James Gray. Criou-se um culto, em Cannes, a esse belo filme romântico, no qual descobri ecos de ‘Rocco e Seus Irmãos’. Entrevistei o diretor em Cannes e ficamos feito dois compadres, tentando provar qual dos dois é mais devotado à obra-prima de Luchino Visconti. ‘Two Lovers’ seria (será?) distribuído no Brasil pela PlayArte. Onde estão os dois amantes (Joaquin e Gwyneth Paltrow)? Perderam-se no mundo? Outro filme do qual também senti falta somente agora – por que a Imovision não trouxe o ‘Entre les Murs’, de Laurent Cantet, que ganhou em Cannes? Jurava que esses filmes estariam aqui…

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