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Cultura » Olha o Fábio, descobrindo a Deborah

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Luiz Carlos Merten

13 Julho 2010 | 10h36

Olá, dei uma passeadinha aqui no blog para conferir comentários e encontrei o do Fábio Negro com a correção do título do livro de entrevistas de Peter Bogdanovich. O próprio Fábio comenta que assistiu a ‘Peregrinos da Esperança’ na TV paga. Curioso, pensei em fazer um destaque, em filmes na TV, sobre a exibição de ‘Peregrinos’ pelo TCM, mas desisti por dois motivos – 1) não sou o maior fã de Fred Zinnemann; e 2) acho que é um de seus raros filmes que vi só uma vez, na estreia (a maioria de vocês não era nascida), quando foi exibido no velho cinema Cacique, de Porto Alegre. Como o filme é de 1960 e, naquela época, os lsamçamentos demoravam mais para chegar, devo ter visto em 1961, aos 15 anos, por aí. Foi no Cacique que vi também ‘Uma Cruz à Beira do Abismo’, o filme anterior do cineasta, com Audrey Hepburn no papel da freira que abandona o hábito. Nunca curti muito o cinema do autor – o acadêmico mais bem sucedido do cinema de Hollywood, segundo Sérgio Augusto -, mas Zinnemann, principalmente naquele tempo, era considerado um raro exemplo de cineasta norte-americano ‘sério’. P.F. Gastal, o Calvero, babava pelos problemas de consciência que os personagens zinnemannianos revelavam naqueles dramas que eu, em geral, considerava aborrecidos. Mas entendo perfeitamente o entusiasmo do Fábio pela Deborah Kerr. Era ótima, e era ousada. Deborah podia interpretar personagens reprimidas ou classudas, mas quando soltava a sensualidade era ainda melhor. Rita Lee devia ter isso em mente ao citá-la em ‘Escurinho do Cinema’, lembram-se? ‘Se a Débora quer/que o Gregory peque…’ Sua cena de adultério, rolando na areia da praias – de maiô! -, com Burt Lancaster em ‘A Um Passo da Eternidade’, de Zinnemann, 1953, é clássica, e nunca esqueço dela, meio gata em teto de zinco quente, de combinação, se agarrando a alguma coisa bem fálica (numa escada, ou sacada), para expressar a insatisfação da mulher de Kirk Douglas, que está tendo um affair com Faye Dunaway em ‘Movidos pelo Ódio’, de Kazan, 1969 (ou 70). Deborah foi poderosa e teve grandes, belíssimos papeis em filmes que fazem parte da história. Mereceria vários posts, que agora não vou conseguir fazer. Embarco hoje à tarde, achei que seria à noite, para a Hungria, para uma set visit. Estou correndo para deixar algumas matérias prontas. Começou ontem o Festival Latino-Americano, começa hoje a Mostra Audiovisual Isaraelense. Mas tinham de ser juntas, e agora? Ambas as programações têm filmes e autores muito interessantes e o argentino Marcelo Piñeyro vem dar sua aula magna na quinta, no Memorial da América Latina. Vejam, por mim, please. Só para encerrar o post. Mauro Brider pega carona no texto sobre ‘Macbeth’, a montagem de Aderbal Freire Filho, e pergunta qual a minha versão favorita das tragédia noturna de Shakespeare no cinema. Acho que o texto já deixa subentendido, mas vou clarificar – a de Kurosawa, embora a Lady Macbeth de ‘Ran’ (Lady Kaede), também de Kurosawa, seja ainda melhor e, sim, a cena das flechadas é antológica.

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