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Luiz Carlos Merten

04 Maio 2011 | 14h04

LOS ANGELES – Pela origem voces jah viram onde estou. Cheguei ontem a noite, horario local, depois de passar o dia viajando. Pela diferenca de horario, jah passavam das 3 (da manhah) no Brasil quando cheguei ao hotel. Adorei viajar pela Korean Air, mas essas viagens de dia sao de lascar. Li muito, vi dois filmes, `Eu Sou o Numero Quatro`, que havia perdido no Brasil, e `Reencontrando a Felicidade`, Rabbit Hole, que deve estrear na sexta. Achei bonito o segundo, Nicole Kidman estah otima e ateh foi indicada para o Oscar, mas o que essa mulher fez com sua cara, com o botox, foi um crime. Desculpem-me por estar redigindo com esses Hs para indicar o acento agudo. Sei que tem gente que vai reclamar, me chamar de ignorante, mas fazer o que? Na segunda, meu dia foi tao corrido aih em Sao Paulo que nao tive condicoes de comentar nada sobre a morte de Osama Bin Ladden. Nesta madrugada, ainda era o assunto nas redes americanas de TV e eu fiquei assistindo a alguns programas. Como todo mundo, havia ficado chocado com aquelas imagens de comemoracao, dignas de final de Copa do Mundo no Brasil.  Achei que aquilo nao  iria nem um pouco desestimular a ofensiva do terror, ateh porque hah controversia sobre o papel que Osama ainda desempenhava na Al Qaeda e a reafirmacao do poder da aguia americana, por mais intimidante que seja, pode estimular acoes desesperadas. Mas o cara, Osama, era um simbolo, sem sombra de duvida. Tentei entender a comemoracao. Basicamente, quem foi aa forra extravasando foram os jovens, que cresceram aa sombra da derrota do 11 de Setembro. Para os que estavam no kidergarten e no basico em 2001, para quem cresceu com medo e em duvida, deve ter sido como lavar a alma. Vi e ouvi muitas entrevistas explicando que os videos da operacao militar naoh seraoh divulgados porque revelariam detalhes importantes dos metodos e estrategias operacionais dos Navy Seals, mas talvez venhamos a ter essa historia recontada por Hollywood. Jah existem comentarios de que Tom Cruise e Will Smith estariam interessados em filmar. Como digo, nao sei se isso nao acirra um odio que jah eh profundo, mas, intimamente, dei razao a Gwnyth Paltrow. Num depoimento, ela disse ter ficado contente por Barack Obama. Diz que sabe o pais em que vive e isso lhe confere, a Obama, um credito que ele nao tinha junto a extensas populacoes do Meio-Oeste. Com discretos sinais de recuperacao da economia, o fato de Obama ser agora o heroi que comandou a operacao deve somar pontos e ajudar na reeleicao, que ateh hah pouco parecia tao improvavel, senao impossivel.  Obama tem decepcionado? Sem duvida, mas um retorno republicano, uma nova era George W. Bush, agradaria a quem?  O impressionante nisso tudo eh a necessidade de heroismo do povo americano e a concepcao do Estado como espetaculo. Nao eh soh para a gente, no Brasil, que tudo vira festa. Quase dez anos depois, os EUA vingaram-se. Soh para lembrar, naoh existe tema mais classico no western do que a vinganca. O aprendizado eh importante, a conquista da terra, mas a vinganca eh o tema de nove entre dez grandes westerns (de Anthony Mann, Budd Boetticher, Henry Hathaway; ateh o mestre Ford volta e meia bebe na fonte do odio aculumulado e que extravasa, como em `Rastros de Odio`). O western foi o genero que melhor espelhou a formacao da `America`. Eh como se os EUA estivessem zerando uma conta para tentar (re)comecar.