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Luiz Carlos Merten

21 Janeiro 2009 | 09h46

PARIS – Estou há quase uma semana na França (desde quinta-feira passada) e somente hoje estou conseguikndo tempo para tentar postar. Na verdade, tentei ontem, mas desisti depois de três tentativas em que, na hora de salvar os textos que escrevia, via um por um desaparecerem da tela. Aonde foram parar? Que m… de tecnologia é essa? Sim, claro, a técnica é soberana, deve estar certa. Eu é que devo ter errado. Os Encontros do Cinema Francês, Les Rencontres du Cinéma Français, começaram na quinta-feira, dia 15, à noite. Na sexta, começaram a rolar as entrevistas. Falei com Christophe Honoré, Olivier Assayas, Agnès Jaouï e Jean-Pierre Bacri, Jean Becker, Patrick Bruehl e muita gente mais. Entrevistei Vincent Cassel na segunda-feira pela manhã, horas antes de que, à noite, ele recebesse o Lumière de melhor ator do ano, por sua interpretação como o famoso Jacques Mesrine em ‘O Inimigo Público Número Um’. O Lumière é o Globo de Ouro da França, outorgado pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros em Paris. A remise des prix ocorre num auditório minúsculo na Prefeitura de Paris. Houve overbooking e eu perdi a cerimônia, propriamente dita, mas recuperei o tempo perdido na festa realizada, a seguir. Só andar naqueles salões repletos de histórias já valeria a pena. Lembrei-me de Cassel me dizendo pela manhã que Mesrine era ele e que nenhum outro ator poderia fazer o papel com a mesma intensidade. Quando vocês virem o filme de Jean-François Richet – a quem entrevistei -, vocês hão de concordar. Nesse corre-corre, que terminou segunda à noite, tive tempo de ver algumas estréias do circuito comercial, entre elas ‘Slumdog Millionaire’, de Danny Boyle, do qual gostei bastante. Ontem à noite, fui a uma pré-estréia, seguida de debate. ‘Morceaux de Conversations avec Jean-Luc Godard’, filmés par Alain Fleischer, vai ser, daqui para a frente, a bíblia dos godardmaníacos. O filme é um documentário co-produzido pelo Centro Georges Pompidou. Documentário, ficção – é tudo a mesma coisa, diz o próprio Godard. Esses pedaços de conversas são diálogos de Godard com diversos interlocutores, por meio dos quais ele desenvolve sua reflexão sobre a história, a política, o cinema e o tempo, num processo que o levou a expor como artista, no Beaubourg, na primavera de 2006, o evento que chamou de ‘Collage(s) de France’. Godard sempre me impressiona muito. Tem aquela voz trêmula, de quem parece frágil. Nada do que diz deixa de provocar terremotos. Impresionou-me, mais ainda, ver quanto está amargurado. Godard diz que ninguém o entende. A mídia lhe abre espaço, mas tudo o que mostra/publica sobre ele são ‘conneries’. Godard se sente conhecido, mas não reconhecido. Connu, pas reconnu. Vou ter de voltar a esses ‘Morceaux de Conversations’.

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