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Luiz Carlos Merten

15 Setembro 2009 | 00h29

Pensei que hoje, ao chegar em casa, depois de entrevistar Isabelle Huppert – foi ótima -, teria tempo de voltar ao assunto Monument Valley, complementando informações que quero acrescentar à foto publicada no post anterior. Mas estou tendo de mudar meu plano. Volto daqui a pouco ao assunto. Agora, quero registrtar a morte, aos 57 anos, de Patrick Swayze. Na semana passada, nos aeroportos de Atlanta, Phoenix e Page, dei uma olhada em vários tabloides norte-americanos e todos eram unâmnimes em ressaltar que a agonia do ator estava chegando ao fim. Um deles chegou a estampar – ‘Patrick está voltando para casa (no Texas) para morrer.’ E ele morreu, realmente, hoje. O câncer de pâncreas, diagnosticado no começo do ano passado, o devastou fisicamente. As últimas fotos que circularam na imprensa o mostravam quase sempre de cadeira de rodas e sempre de chapéu (e óculos) para disfarçar os efeitos da quimioterapia. Patrick Swayze não parecia nem de longe o dançarino de ‘Ritmo Quente’ nem o galã de ‘Ghost – Do Outro Lado da Vida’, seus maiores sucessos, em 1987 e 90. Ele foi uma herança da era das discotecas, que começara com John Travolta em ‘Embalos de Sábado à Noite’, em 1977. Swayze, inclusive, estava em ‘Os Embalos de Sábado Continuam’, em 1983. Revi há relativamente pouco tempo ‘Dirty Dancing – Ritmo Quente’. É verdade que não estava nas minhas melhores condições. Com dor de dentes, havia procurado um atendimento de emergência. Enquanto esperava, olhei meio distraído o filme e ele me pareceu cafona. Tudo tinha envelhecido muito – o visual, as roupas. ‘Ghost’ resiste melhor e a cena em que o casal, Swayze e Demi Moore, simula sexo enfiando as mãos no barro, permanece erótica. Filho de uma coreógrafa e professora de dança, Patrick Swayze estudou para ser bailarino clássico, mas jogava futebol americano, sofreu algumas lesões e precisou desistir do balé, investindo na carreira de ator. Não tenho muito boa lembrança de ‘Para Wong Foo, Obrigado por Tudo! Julie Newmar’, que segue a trilha de ‘Priscilla, a Rainha do Deserto’. O próprio Swayze veio ao Brasil para o lançamento e fez sensação por seu papel de drag queen, mas eu confesso que não tenho uma lembrança muito boa do filme. Meu Patrick Swayze favorito é o de ‘Caçadores de Emoções’, de Kathryn Bigelow, que é ‘o’ filme de surfe, com cenas eletrizantes de ação (e fluição). Nenhum macho teria tido uma direção de cena mais viril do que a da ex-mulher de James Cameron e o paradoxo é que ela, tão durona, era, não sei se continua sendo, uma bela mulher. Quase não acreditei quando a entrevistei em Veneza, no ano de ‘Strange Days’. Kathryn mereceria estar frenter às câmeras e sua cruzada de pernas não perdia para a de Sharon Stone em ‘Instinto Selvagem’ (o primeiro). Swayze e Keanu Reeves têm cenas ótimas – e química – em ‘Caçadores’. Pobre Swayze. Ninguém merece sofrer tanto. Não posso deixar de me lembrar de Suzanne Pleshette, que também sofreu uma devastação parecida, por conta do câncer. Mas ambos foram lutadores. Resistiram quanto puderam. Agora estou me lembrando de ‘Uma Prova de Amor’ e da garota que chega a um ponto em que a morte vira libertação. Deve ter ocorrido assim com Patrick Swayze. Em janeiro, ele estava otimista e deu uma entrevista dizendo que podedria viver mais uns dois anos. Há uma semnana, pouco mais, desistiu e saiu de cena para morrer em casa. No imaginário do público, porém, haverá sempre um jovem Patrick Swayze dançando ou envolvido no interlúdio romântico de ‘Ghost’.