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O verdadeiro quarteto fantástico

Luiz Carlos Merten

11 Março 2007 | 12h16

Ontem, havia concluído o post sobre Peggy Sue e saí do cyber café para jantar. No caminho, fiquei pensando uma coisa. Não é segredo para ninguém que não gosto de Os Infiltrados, mas acho que Scorsese merecia ganhar o Oscar de direção, pelo conjunto da obra. Por isso, também é que achava que o Oscar de melhor filme devia ir para Pequena Miss Sunshine. Me parecia que, se fosse para dissociar, seria a melhor opção. Não gostei nem um pouco quando Os Infiltrados foi considerado o melhor filme do ano, mas a verdade é que já estou velho (brincadeiorinha…) e sou sentimental (o que é verdade…), e aquela imagem do trio Coppola/Spielberg/Lucas no palco do Kodak Theatre, entregando o prêmio a Scorsese, ficou comigo e volta e meia me vem. Posso gostar mais de um que de outro, posso gostar de outros diretores, mas aquele quarteto foi fundamental e mudou a história de Hollywood nas últimas décadas. Todas as grandes transformações, estéticas e tecnológicas, passam por eles, me digam se não? E é engraçado como os quatro souberam reintegrar o conceito do cinema de autor à máquina do cinemão. O conceito surgiu na França justamente para celebrar os diretores, alguns pequenos, que trabalhavam de forma mais ou menos anônima no apogeu dos grandes estúdios. Já havia, naquela época, autores consagrados – Ford, Zinnemann, Wyler. Cahiers radicalizou e mostrou que não apenas eles, ou Hitchcock e Preminger, mas o obscuríssimo Don Weis era um autor (e importante). Os anos 60, a década que mudou tudo, enterrou o velho sistema de astros e estrelas e tycoons. Surgiu uma nova geração de executivos (e de astros), muito mais ligada na questão do dinheiro. Hoje em dia, a própria mídia vive discutindo quem ganha mais – Cameron Diaz ou Julia Roberts? E se Angelina Jolie é a mulher mais sexy da história (não da atualidade), por que ela não tem o maior salário, numa indústria que vive da imagem? Isso é o hoje. Mesmo quando procuro em arquivos, nunca encontro informações sobre quanto ganhavam Garbo, Hepburn, Gable, Cooper. A questão do salário começou com o US$ 1 milhão de Elizabeth Taylor, por Cleópatra. Depois do assassinato de Marion Crane na ducha de Psicose e dos efeitos de 2001, tudo mudou. Talvez, no conjunto, tenha mudado para pior. Mas aqueles quatro, no palco do Kodak Theatre, formavam o verdadeiro quarteto fantástico.

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