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Luiz Carlos Merten

30 Outubro 2008 | 13h20

Fui ver ontem ‘O Último Reduto’ no Centro Cultural São Paulo, movido pelo entusiasmo de Nicolas Klotz, o diretor de ‘A Questão Humana’, que recomendou vivamente o filme do franco-argelino Rabah Ameur-Zaïmeche na coletiva realizada no sábado. O filme é sobre imigrantes islâmicos na periferia de Paris. Trata de problemas religiosos e profissionais. O empresário muçulmano abre uma mesquita para que seus funcionários orem, e também para que ele possa manipulá-los, já que o imã está sendo indicado por ele. Ocorre uma rebelião, uma greve e o filme termina de forma inconclusiva. O filme é seco, sem nenhuma firula, como se uma câmera indiscreta estivesse documentando conflitos reais. os personagens falam, o cenário é embarrado e há um ruído permanente dos aviões que pousam e decolam, pois a empresa situa-se próxima ao aeroporto (Charles De Gaulle). O filme é árduo, árido, mas pouca gente saiu – dois ou três espectadores, talvez – e isso no CCSP, onde muita gente vai porque é barato, acessível ou para ocupar o tempo (não encaro nada disso como pejorativo para o espaço, que fique bem claro). Pode ser que me engane, mas não me pareceu o público tradicional de cinéfilos da Mostra, e por isso mesmo a reação da platéia me pareceu bacana. Todo mundo – eu inclusive – ficou ligado. Adorei uma coisa. O filme deve ter sido feito em 16 mm ou digital, não sei. A imagem não se preocupa em ser bonita, os atores estão longe de serem Apolos muçulmanos e o diretor prescinde da música, concentrando-se nos ruídos da fábrica e nas rezas (algumas cantadas) como ‘suportes’ dramáticos. No desfecho, entra um tema musical jazzístico. O silêncio é de ouro, já dizia René Clair. O filme terá nova exibição hoje, daqui a pouco, 14 horas, no IG Cine.

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