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O segredo é o alho

Luiz Carlos Merten

11 Dezembro 2008 | 14h51

Tive uma manhã e uma tarde agitadas ontem, assistindo a filmes – em DVD e no cinema – e fazendo entrevistas pelo telefone. Confesso que tive imenso prazer ao ficar quase uma hora ‘charlando’ com Bigas Luna, que já havia entrevistado antes, também por telefone. Bigas surgiu nos cinemas brasileiros contemporâneo de Pedro Almodóvar. Ambos representavam a força transgressora do cinema espanhol pós-franquista. Almodóvar tinha aquela pegada mais gay, Bigas expressava mais as fantasias do macho (e foi com ele, com ‘Huevos de Oro’, fazendo aquele gesto obsceno de pegar nos ‘cojones’, que eu comecei a me dar contas da existência de Javer Bardem). O tempo passou, Almodóvar foi ficando cada vez mais importante – e maduro -; Bigas Luna foi desaparecendo, ou quase. Ei-lo que volta com ‘Eu Sou Juani’, que estreia amanhã, primeiro filme de uma trilogia sobre a mulher e o sucesso, que o diretor situa na periferia, assimilando o fenômeno do pichicoteo – de Los Angeles – que inspirou ensaio de Tom Wolfe e deu origem ao chamado ‘tunning’. O filme conta a história de Juani, garota fogosa, que vive na periferia e tem esse namortado vidrado em carros e sexo. Quando o pega na cama com outra, ela decide tentar a sorte em Madri. Quer ser atriz, mas só consegue propostas para ser p… Bigas pega uma história velha e tenta lhe dar um novo formato, incorporando formas narrativas e musicais – e sugestões visuais de moda e decorado – que têm a ver com o tal pichicoteo, ou tunning. Na verdade, é uma história que se desdobra, ou multiplica, porque temos a personagem da mãe, que não teve a coragem de partir da filha, e a da melhor amiga, que faz uma cirurgia para aumentar os seios. Bigas Luna sempre foi muito tesudo, ligado nas cenas de sexo. Ele se explica dizendo que os espanhóis comem alho demais, e óleo de oliva. O segredo, portanto, é o alho… Gostei da entrevita, mais do que do filme, mas ‘Juani’ virou um fenômeno entre o público jovem da Espanha, que o diretor gostaria de ver se repetir no Brasil, até como forma de ‘reentrar’ nesse mercado. Um pouco por causa da busca de uma intérprete por toda a Espanha, o filme teve muita mídia e terminou originando um recorde – de mais de 4 milhões de acessos (não sei se é assim que a gente define o ato de ‘baixar’ o filme na rede). A atriz, Veronica Acegui, é muito parecida com Penelope Cruz. Bigas filma em 2009 a segunda parte, ‘DD Hollywood’, na qual a garota em busca de sucesso já está nos EUA, e fecha sua trilogia em 2010, ao que tudo indica com a própria Penelope. Por falar na guapa Penelope, ele adorou ‘Vicky Cristina Barcelona’ e, apesar dos meus protestos, chamou Woody Allen de gênio. Não estou provocando, só digo que gostava mais de Woody Allen há 20 anos, mas aproveito para registrar o que me disse ontem Rodrigo Fante, da Imagem. ‘Vicky’ deve chegar aos 600 mil espectadores, o que é excelente para um filme de Woody Allen. Achei até que faria mais, pois é o filme com as maiores filas nas minhas idas recentes ao Arteplex e ao Cinemak do Eldorado. Outra comédia da Imagem – a nacional ‘A Casa da Mãe Joana’ – ultrapassou a marca de 500 mil pagantes. Rodrigo, que se despediu da gente ontem, entrou em férias rindo à toa.