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Cultura » O segredo da união, por Godard

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Luiz Carlos Merten

22 Janeiro 2009 | 09h38

PARIS – Jean-Luc Godard esculhamba Chantal Ackerman e André Téchiné em ‘Morceaux de Conversations’. Numa cena, ele revela sua admiração por Albert Camus e diz como foi possuído pela frase célebre do escritor, segundo a qual a única verdadeira questão moral (existencial?) é o suicídio. Godard também diz abobrinhas ótimas. Em outra cena, afirma que um casal pode discordar sobre literatura, ópera e teatro, mas se não estiver de acordo quanto aos mesmos filmes é melhor se separar logo, porque não tem futuro. Para saber mais alguma coisa sobre o filme de Alain Fleischer, leiam o texto de hoje no ‘Caderno 2’. Agora, vou fazer uma pausa. Já enviei meu texto para a edição de amanhã do ‘Caderno’. Sim, eu gostei de ‘Austrália’. Fazer o que se me interesso pelos filmes que os outros detestam? Chove em Paris e eu quero ver se consigo ver a exposição de Picasso no Grand Palais. Está sendo a maior sensação. Os grandes mestres vistos pelo gênio cubista. Lado a lado, obras-primas de Cézanne, Ingres e sei lá quem mais, e as revisões de suas telas por Picasso. Não tem nada a ver o valor de mercado, mas, só como curiosidade, a exposição está segurada em não sei quantos bilhões de euros. Depois que o socialismo salvou o capitalismo, nada mais me admira – a arte, de tão valiosa, poderia zerar a crise. Que tal?