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Cultura » O retorno de… Stephen Frears

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Luiz Carlos Merten

20 Junho 2011 | 10h04

RIO – Já fiz os filmes na TV de amanhã. Daqui a pouco começam as entrevistas de ‘Transformers 3’. Primeiro, a coletiva, depois os grupos e, finalmente, as individuais. Por volta das 2, 2 e pouco, teremos terminado. Aproveito para uma dica de DVD. Em Cannes, no ano passado, havia entrevistado Stephen Frears por ‘Tamara Drewe’, que integrava a seleção oficial, fora de concurso. Frears já presidiu o júri do festival. Voltava só pelo holofote da mídia e o cerimonial do tapete vermelho, sem chance de Palma de Ouro. O interessante é que havia, também fora de concurso, um Woody Allen em 2010 – ‘Você Vai Conhecer o Homem de Seus Sonhos’, the Dark Tall Stranger. Os dois filmes, o de Allen e o de Frears, têm tudo a ver. Tratam dos caprichos do coração, do destino cruel. Observei isso para Frears, ele me deu uma resposta legal (leia no ‘Caderno 2’ de hoje). ‘Tamara’ baseia-se na graphic novel de Posy Simmonds que, por sua vez, é adaptada de ‘Longe Deste Insensato Mundo’, Far from the Madding Crowd, que John Schlesinger transformou em filme, com Julie Christie, em 1967. Antes de me encontrar com Frears em Cannes, na Plage du Festival, havia entrevistado a atriz que faz Tamara em Londres. Gemma Arterton é aquele espetáculo, mas falei com ela não pelo filme de Frears, mas por ‘O Príncipe da Pérsia’, no qual elça faz a protagonista feminina, contracenando com Jake Gyllenhaal. ‘Tamara Drewe’ está saindo diretamente em DVD, pela Sony, com o título de ‘O Retorno de Tamara’. Tenho me encontrado com alguma frequência com o diretor. Na vez mais recente, estávamos no café de um hotel em Los Angeles. Olhei-o e vi que ele fez aquela contração de testa que significa ‘Who the fucking is this guy?’ Nos reencontramos depois no elevador. Disse que era um jornalista brasileiro, que já havíamos nos encontrado várias vezes (em Cannes, Berlim etc). Ele me respondeu – ‘Thank God, eu sabia que o conhecia!’ ‘O Retorno de tamara’ é bem divertido. Ela volta para a cidadezinha em que nasceu para vender a casa da mãe, que morreu. Tamara tinha um narigão, que operou. Ficou sexy, virou jornalista de sucesso, quer ser escritora. Tamara chega para subverter/tumultuar essa Inglaterra rural que abriga um resort para escritores. Um astro de rock visita a cidade e Tamara provoca o ódio de duas adolescentes ao se envolver com ele. Como em ‘Desperate Housewives’ e na adaptação que meu amigo Dib Carneiro fez do romance de Lúcio Cardoso, ‘Crônica da Casa Assassinada’, há um jardineiro fodão, que solta a régua no jardim. Frears me disse que não tem interesse especial em HQs nem graphic novels. Acrescentou que raramente desenvolve roteiros.  As histórias e os roteiros o perseguem. Foi assim com ‘A Rainha’, com ‘O Retorno de Tamara’. Frears não é a atualização do velho artesão de Hollywood, mas tenho a maior fascinação por esse tipo de diretor que aceita o contrato e transforma uma obra de encomenda em algo mais necessário e pessoal. Vejam ‘Tamara’. Acho que vocês vão se divertir bastante.