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Luiz Carlos Merten

03 Janeiro 2012 | 09h40

Espero que o presidente da Comgás vá bem, obrigado, ou pelo menos melhor que eu. Há mais de seis meses, desde 17 ou 18 de junho, sou sistematicamente maltratado/humilhado pela empresa, desde que, com problemas no meu chuveiro, chamei um técnico para trocar o aquecedor. Estava em casa, com diagnóstico de pneumonia, quando o sujeito, aliás muito falastrão e simpático, foi fazer a vistoria e me convenceu a trocar o chuveiro com o aquecedor. Disse que, em 15 dias, estaria instalado e, desde então, a cada duas ou três semanas vou ao 0800 destinado aos infelizes usuários da Comgás – recuso-me a acreditar que o problema seja só meu e que a empresa tenha me tomado para Cristo. Deve ser geral. A novidade é que, no último contato, a funcionária solícita – algumas já me desligaram o telefone na cara, mas aquela foi gentil –, checando seus arquivos, me disse que o serviço já havia sido feito. Como disse que não, ela iniciou outro processo e agora espero outro técnico – o prazo também já passou – que vai fazer a vistoria e, talvez, perceberá que não fui atendido. O mais curioso é que a mesma funcionária me disse que, muito provavelmente, já paguei pelo serviço, mas, como o débito é automático e eu confesso que não fico conferindo, posso muito bem ter marchado sem perceber. Estou imerso na burocracia e num absurdo que prefiro ler em Kafka. Que m… de serviço, hein Comgás? Que m… de serviço CET. Todo ano, costumo ver a Corrida de São Silvestre no Centro de São Paulo. Este ano, no sábado, depois de almoçar, tentei pegar um táxi, não encontrava. Fui à parada, na esquina da Rebouças com Henrique Schaumann. Deviam ser 3 e pouco da tarde. Esperei um pouco, tomei o ônibus e rumamos para o Centro. Estranhei que o caminho estava livre pela Consolação. Quando chegamos na altura do Minhocão, havia uma barreira e o carro foi desviado por um PM. “Qual é o caminho?”, perguntou o motorista. Não sei, respondeu o cara, mas aqui não pode. Adiante, havia outra barreira, e outro policial que não sabia dar informação. O motorista não sabia o caminho, foi indo às cegas. Terminei desistindo e indo a pé, enquanto filosofava com meus botões. Imagina se o Kassab, com seus 75% de desaprovação, vai ligar para os problemas de quem pegou um ônibus na tarde de 31 de dezembro… Mas como? O roteiro da São Silvestre muda e as empresas não foram informadas do trajeto que seus motoristas deviam fazer?  Me deu vontade de tirar o Leonardo Medeiros de casa. Só ele resolvia os problemas do trânsito da cidade naquela ficção com Rodrigo Santoro, ‘Não por Acaso’, do Philippe Barcinski. Mas, claro, lá era ficção, ha-ha. Resolvi contar a história, mas nem isso estragou meu humor. A noite foi muito gostosa, a comemoração entre  amigos. A coisa só melou de novo quando resolvi zapear para ver os shows da virada. Respeito quem gosta daqueles ‘artistas’, mas era gente brega demais. As exceções – na Band, os duetos de Diogo Nogueira com Chico Buarque e Alcione. Gostava do pai dele, o João, que fornecia a trilha sonora de um bar e restaurante que frequentava em Porto Alegre, na Cidade Baixa, nos anos 1970. O filho, charmoso, de um charme viril – Diogo devia fazer cinema -, é o que sobrou da nata da malandragem, como canta o Chico. Por via das dúvidas, desliguei (d)a TV e fui ver os fogos na sacada.