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Luiz Carlos Merten

01 Julho 2007 | 22h43

Quem é que reclamou outro dia da errata da errata? A série continua. Fui tão sequinho ao Google para conferir a atriz jovem de Enquanto Durou o Nosso Amor que nem conferi o protagonista masculino, que é, como Sérgio Leeman já assinalou em seu comentário, Enrico Maria Salerno, que depois virou diretor e fez Anônimo Veneziano e Caros Pais, os dois com Florinda Bolkan. Gabriele Ferzetti e Catherine Spaak realmente estiveram juntos em Vidas Ardentes, do Vancini, que também tem Jacques Perrin e Fabrizio Capucci no elenco.O trio de jovens vai passar um dia de verão numa ilha, os rapazes querem tirar proveito da garota, mas quem seduz a bela Catherine é o quarentão cínico, interpretado pelo ator de Antonioni. Eu gostava demais de Gabriele Ferzetti, como gostava do Vancini. Fui à minha antiga coleção da revista Guia de Filmes, do INC. Não tmnho todos os números, mas tenho alguns e entre eles o que traz o comentário de Fernando Ferreira sobre Vidas Ardentes. Como era boa aquela revista. Vou citar um trecho – ‘Trata-se de uma obra aparentada com o mundo existencial que se expressa nos filmes italianos dos diretores que estão hoje nos seus 40 anos e que certamente são sensibilizados pela mensagem do neo-realismo e pela obra de autores como Pratolini e Moravia. Vidas Ardentes tem, sem dúvida, um parentesco com a obra de Moravia e, no tratamento cinematográfico, lembra Dois Destinos, que Zurlini adaptou de Pratolini. Como outros filmes saídos dessa geração, preocupa-se em estudar a juventude, em situar sua oposição ao mundo bem definido de seus maiores e tudo relacionar à conquista da independência feminina.’ E FF ainda diz – ‘Vancini conduz o filme à maneira da Cronaca Familiare de Zurlini ou de seu Enquanto Durou o Nosso Amor, isto é, com acentuado fascínio pelos tempos lentos, como se lhe seduzisse o andamento em forma de adágio.’ Depois disso, fiquei morrendo de vontade de ver os filmes do Vancini. Quem sabe a Versátil não resgata também esse outro diretor italiano? Pobre Fernando Brito, que faz a seleção de títulos da Versátil. Estamos lhe atribuindo responsabilidades demais, mas o que seria de nós, cinéfilos amantes do cinema italiano, se não fosse a Versátil?