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O que é o cinema?

Luiz Carlos Merten

22 Julho 2011 | 12h13

Embora ainda baleado – passei ontem o dia tossindo -, tenho de admitir que tenho feito boas entrevistas, que me produziram grande prazer. Pablo Trapero, Brillante Mendoza, Daniel Vega, irmão de Diego e co-diretor de ‘Outubro’ – que estreia hoje -, Marcos Paulo, Billy Ray Cyrus. Entrevistei o pai de Miley Cyrus achando que poderia ser curioso, e ele me surpreendeu. O fato de permanecer mais em casa também me permite ver mais filmes na TV paga, ou em DVD. A Cult está lançando dois filmes dois filmes de René Clair no novo pacote – ‘A Beleza do Diabo’, com Gérard Philippe e Michel Simon, e ‘Por Ternura também Se Mata’, Porte de Lilas, que a nouvelle vague, e os críticos a ela ligados, adoravam detestar, mas que eu descobri, num livro sobre Clair que comprei na França e nunca havia sequear folheado, que teve um grande defensor. Sabem quem? Pois é, André Bazin, o pai afetivo e espiritual de François Truffaut, ‘o’ crítico que ousou tentar responder, de forma ampla e não sectária, à pergunta ‘Que’est-ce que le cinéma?’ Eu volta e meia me faço a pergunta e no fundo ela estava nas conversas com Trapero, Vega, Mendoza e Marcos Paulo. Mendoza me contou que seu novo filme começou a nascxer em São Paulo, quando ele reencontrou a atriz que o havia premiado em Cannes, pela direçãso de ‘Kinatay’. Isabelle Huppert presidia o júri que outorgou a Palma de Ouro a Michael Haneke. Estava hoje no táxi, a caminho do jornal, quando me ofereceram o ‘Destak’. Dei uma olhada no jornal e confesso que fiquei surpreso quando sua crítica afirmou, com toda segurança, que ‘Assalto ao Banco Central’ parecia um piloto de TV. De onde as pessoas tiram esses conceitos? E se fosse – por que, obviamente usando técnicas e conceitos que aprendeu na televisão, tantos filmes de Sidney Lumet dos anos 1950 e 60 são considerados clássicos e obras de outros diretores são descartadas pelo que, no caso deles – a possível filiação à TV -, vira defeito? Eu acho que é preconceito, ou então uma maneira leviana de desacreditar. E digo – o mais impressionante em ‘Banco Central’ é a homogeneidade do elenco. Trabalhando com veteranos e atores da nova geração, gente de teatro, cinema e TV, Marcos Paulo conseguiu dar – com a ajuda de Fátima Toledo, é verdade – uma unidade de tom e uma noção de conjunto ao seu elenco que me pareceram impecáveis. Adorei uma coisa que ele me disse, e que pode despertar polêmica. Em conversa com o amigo Roberto Farias, Marcos disse que Roberto havia feito ‘O Assalto’ (ao Trem Pagador) do século 20 e que ele, Marcos, fez o do século 21, ao ‘Banco Central’. O roteiro avança por núcleos (os assaltantes, os federais) e deixa clara uma ideia do diretor sobre o Brasil. Impunidade, corrupção, mas também improvisaçãso, o ‘nosso’ jeitinho. Bem interessante.