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Cultura » O que é mais difícil?

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Luiz Carlos Merten

17 Dezembro 2010 | 13h31

De vez em quando confesso que vou ao Guia da concorrência só para me irritar. Detesto gente burra, metida a besta. Em Brasília, não sei que jurado andou comentando que o filme de Tiago Mata Machado seria muito bom como vanguarda há uns 40 anos. Tanto isso não é verdade que o fulano, que não sei quem é, não entendeu nada (embora eu não me canse de dizer que o entendimento, afinal, é muito pessoal e depende de uma mão dupla. O filme tem muito a oferecer, mas na mesma medida em que você está disposto a retirar dele. É mais ou menos aquilo que C.S. Lewis dizia de Deus – ‘Quando se trata de conhecer a Deus, toda a iniciativa depende d’ Ele. Se Ele não quiser se revelar, nada do que fizermos nos permitirá encontrá-lo.’ Acho isso maravilhoso, coisa de gênio.) Fechado o parêntese e a digressão, eis-me de volta ao Guia. As cotações do novo ‘Harry Potter’ são muito interessantes. Pelo visto, só Suzana Amaral, muito sábia, achou que havia ali alguma coisa. ‘Mais do mesmo’, ‘lenga lenga’. Mas essa gente viu o mesmo filme que eu? ‘Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 1’ é o melhor de toda a série e anima expectativa em relação à Parte 2, que será realmente o fecho, em meados do ano que vem. Meu amigo Jotabê Medeiros lamentou outro dia que as pessoas não se deem conta – ‘aquela’ cena de Emma Thompson com Harry é um dos momentos mais belos, mais íntimos e mágicos, do cinema em 2010. Por que é tão difícil aceitar/acreditar que algum blockbuster possa ter vida sensível ou inteligente? Pelo visto, é mais difícil alcançar o entendimento de Harry Potter do que de Jean-Luc Godard, ‘Film Socialisme’. Ou, então, é pura questão de preconceito, tapando os olhos.