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Luiz Carlos Merten

24 Julho 2011 | 12h47

Estou me programando para ir agora, no fim da tarde, rever ‘O Quarto’, de Rubem Biáfora, no ciclo de Sérgio Hingst da Sala Cinemateca. O filme passa às 18h30. Confesso que quando vi o filme, há mais de 40 anos, não me impressionei tanto, mas Glauber Rocha amava ‘O Quarto’ e dizia que era uma obra-prima. Quero ver se descubro agora o que tanto encantou Glauber, mas na verdade o que me leva a ver o filme é outra coisa. Eryk Rocha, filho de Glauber, fez um filme do qual gosto muito. ‘O Transeunte’ é sobre um velho que anda pelo centro do Rio. Quando não está deambulando, está em casa, nesse minúsculo apartamento do qual acompanha uma construção, ao lado. O protagonista de ‘O Quarto’ não é tão velho, mas é solitário. Só sai de casa para frequentar prostitutas. Ele se equivoca e toma por amor o que é só sexo com uma ricaça. Biáfora, ex-crítico do ‘Estado’, fez apenas três longas (mais um curta sobre Mário Gruber). Estreou com ‘Ravina’, no fim dos anos 1950, bebendo na fonte do William Wyler de ‘O Morro dos Ventos Uivantes’. Biáfora foi contemporâneo de Walter Hugo Khouri. Como o ‘sueco’ (Khouri), ele também amava Ingmar Bergman. Fez depois ‘O Quarto’, em 1967, e ‘A Casa das Tentações’, em 1975. Em princípio, e por sua ligação com o cinema paulista de indagação mais ‘existencial’, Biáfora não era um autor que devesse interessar tanto a Glauber, mas ele amou ‘O Quarto’. Existe alguma ligação entre o ex-funcionário público de Biáfora e o perrsonagem de Eryk Rocha? Mera coincidência, talvez. O que sei é que fui olhar a ficha do filme de Biáfora no ‘Dicionário de Filmes Brasileiros’, de Antônio Leão da Silva Neto, e mal acreditei. Astolfo Araújo, Pio Zamuner, Jairo Ferreira, Ozualdo Candeias, Sylvio Rinoldi, Maria Guadalupe. O filme de Biáfora é uma súmula do cinema paulista da época. Os figurinos são assinados por Zuzu Angel! Fiquei com mais vontade ainda de ver.