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Luiz Carlos Merten

11 Julho 2010 | 12h41

Ainda não falei nada sobre ‘Shrek para Sempre’, que parece que não foi muito bem nos EUA. Estava no México, em Cancún, e olhando rapidamente o ranking do jornal ‘USA Today’ lembro-me que sinalizava para bilheterias e críticas decepcionantes, ao contrário de ‘Toy Story 3’, que o jornal considerava o melhor filme do verão norte-americano (e nisto estou de acordo). Mas quero dizer que ‘Shrek’ me surpreendeu, no bom sentido. Tivemos, a plateia e eu, um percalço no PlayArte Bristol, porque a sessão das 10 da noite de ontem começou com o filme dublado, até ser interrompida por alguém que se lembrou que ele deveria estar passando com legendas. Confesso que gostei mais da ideia do que do próprio filme em ‘Shrek’ (o primeiro), preferindo o personagem do burro (com a voz de Eddie Murphy) ao do ogro (Mike Myers). Diverti-me mais no 2, com a entrada em cena do Gato de Botas, com a deliciosa criação ‘sonora’ de Antonio Banderas. Achei o 3 meia boca e fui ver o 4 completamente sem expectativas, porque todo mundo me dizia que Shrek estava muito acomodado, burguês etc e tal. Diverti-me bastante, uma porque o vilão é ótimo (o melhor da série toda) e eu achei engenhosa a mistura que o roteiro faz de ‘A Felicidade não se Compra’, de Frank Capra, com ‘O Mágico de Oz’, de Victor Fleming. Shrek, cansado da sua vidinha, quer voltar a ser o ogro que era e aceita o acordo proposto pelo vilão. Ele o engana e Shrek vê sua vida se esvair ao longo deste dia. Não apenas não salvou Fiona da sua torre como, à maneira de James Stewart no clássico de Capra, vê o mundo de pernas para o ar simplesmente porque não ‘nasceu’. No limite, o filme é sobre o herói que precisa voltar a lutar e que tira do mofo os amigos (o burro, o gato balofo), além de, lá pelas tantas, se situar a reboque de uma heroína feminista, que está forjando o próprio destino (Fiona). Citei ‘Oz’ um pouco por causa do mágico (e das bruxas), mas principalmente porque ‘Shrek para Sempre’ celebra o mais hollywoodiano dos temas (com a segunda chance) – o retorno ao lar. Não elaborei muito o que vi, mas sei que me diverti e não estou de acordo com essas outras ‘interpretações’. Mas, enfim, cada um vê o filme que pode recriar no seu inconsciente e o meu ‘Shrek’ é este. Gostei.