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Luiz Carlos Merten

12 Maio 2011 | 13h26

CANNES – Provavelmente, vou ser o último com as primeiras, mas hoje realmente não tive tempo de postar, correndo para ver filmes e redigindo matérias. Não fiquei muito entusiasmado com o novo Gus Van Sant, mas confesso que não é de hoje, de ‘Resteless’, que ele me deixa ‘sur ma faim’, como dizem os franceses. O filme já nasceu com vocação de cult e Ana Paula Souza, da concorrência, me confessou que o novo Van Sant lhe fez a cabeça. Embora o projeto seja de Bryce Dallas Howard, que o produziu com o pai – sim, Ron Howard -, o estranhamento não poderia ser mais típico de Gus. Um garoto, Henry Hopper, filho de Dennis, que perdeu os pais num acidente de carro, desenvolve um gosto m[orbdo por velórios. Num deles, encontra uma garota terminal, que está morrendo de câncer no cérebro. Essa love story de dois freaks poderia dar uma narrativa bem pesada, mas Gus Van Sant a trata com leveza. É o filme mais adocidado do autor e, por isso mesmo, compreensivelmente, havia gente chorando no fim da sessão. Eu, que choro por nada, resolvi ser durão, mas na realidade aquilo me parece tão fake, tão calculado, que é uma espécie de Hollywood às avessas. Depois disso, nada no mundo me faria perder a apresentação, pelo próprio BErnardo Bertolucci, de ‘O Conformidsta’ em Cannes Classics. O primeiro tanho em Paris a gente não esquece. O dele, com Dominique Sanda e Steffania Sandrelli, é deslumbrante. Sorry, mas tenho de correr.

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