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Cultura » O pequeno Nicolau e o grande Eiffel

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Luiz Carlos Merten

09 Maio 2009 | 10h33

PARIS – Fui hoje pela manhã a duas exposições na Mairie (Prefeitura) de Paris. A primeira foi a dedicada ao cineqntenário do Petit Nicolas. Jean-Jacques Sempé tinha 21 anos e chegava de Bordeaux quandfo encontrou em Paris, nos anos 50, René Goscinny, que regressava dos EUA. Tornaram-se grandes amigos e, enquanto a nouvelle vague (e seus precursores), criavam uma nova linguagem para colocar a juventude na tela, Goscinny e Sempé voltaram-se para suas lembranças de infâsncia para criar o pequeno Nicolau. Goscinny havia feito sua formação no liceu francês de Buenos Aires. Das lembrasnças de ambos surgiram as histórias que Goscinny escreveu e Sempé ilustrou. Fiquei imaginando Jotabê Medeiros solto ali dentro daquela exposição. Converso muito sobre quadrinhos com Jotabê – ele é meu consultor e o que diz é lei para mim -, mas sinceramente não sei se ele curte ‘O Pequeno Nicolau’ nem a outra parceria célebre, a de Goscenny com Uderzo, que resultou em ‘Astérix’. Duvido, porém, que ele, ou qualquer pessoa ligada em HQs, não se emocionasse com aquelas pranchas com desenhos originais reproduzindo as aventuras de Nicolas na escola. O garoto está completando 50 anos de criação. Em setembro, estréia um filme que o diretor Laurent Tirard dedica ao personagem. Na saída da expô sobre Nicolas, dei a volta no quarteirão da ‘Mairie’ e entrei em outra fila, estas bem mais demorada, para ver a exposição sobre Gustave Eiffel, ‘le magicien du fer’, que deu nome à torre que virou símbolo de Paris. A torre foi inagurada em 1889, durante a Exposição Universal que assinalou o centenário da revolução francesa. A exposição detalha o concurso para construir a torre, exibe detalhes dos demais projetos e mostra como Eiffel levou adiante, com o arquiteto Stephen Sauvestre, o projeto de torre desenvolvido pelos engenheiros Kechlin e Nouguier na sua maison Eiffel, na qual ele jás vinhas trabalhando com o ferro, o aço e as novas tecnologias. A exposição exibe belíssimas obrasd de arte, a torre vista por Chagal, Dufy, Delaunay e Seurat, entre outros, mas não sabia que os artistas, quando foi inaugurada, foram contrários ao projeto (e queriam sua demolição, como uma ‘monstruosidade’ estética). O que salvou a torre foi a ciência, quando Eiffel, já no começo do século 20, instalou no alto uma fonte de difusão de rádio. Achei tudo isso muito interessante, mas o que maisd gostei foi de acompanhar, quadro a quadro, por meio de fotos, a elevação da torre de 300 metros e, depois, em filme, a ‘apropriação’ que parisienses e aventiureiros de todo o mundo faziam da torre, nos primórdios do século passado. Existem, registros filmados dos primeiros alpinistas a escalar a Torre Eiffel, das primeiras tentativas de saltar lá do alto em para-quedas e até um maluco que desceu a torre de… bicicleta! Muito legal.